Festa Fancha sofre ataques online coordenados por homens

Festa Fancha, balada exclusiva para mulheres lésbicas, bissexuais, trans e pessoas não binárias em São Paulo, tornou-se alvo de uma nova onda de ataques virtuais conduzidos por homens cisgênero e heterossexuais. A ofensiva começou após a circulação, fora da bolha LGBTQIA+, de um vídeo antigo que mostrava cenas do evento.

Com a viralização, a idealizadora e produtora Isabela Catão passou a receber mensagens de ódio e ameaças diretas. Comentários ironizavam a aparência das frequentadoras, questionavam sua orientação sexual e até sugeriam “invadir” a festa fingindo identidade feminina.

Festa Fancha sofre ataques online coordenados por homens

Segundo Catão, o assédio não é novidade. Criada em 2017, a Fancha já enfrentou resistência de casas noturnas que temiam “perder público masculino”. Hoje, com público consolidado, a pressão migrou para o ambiente digital, onde grupos masculinistas coordenam investidas semelhantes às registradas contra outros espaços LGBTQIA+.

Escalada de crimes de ódio na internet

Dados da ONG Safernet indicam aumento de 24,3 % nas denúncias de LGBTfobia on-line. O salto mais dramático, porém, ocorreu nos casos de misoginia: 224,9 % entre 2024 e 2025, totalizando 8.728 queixas. A Fancha insere-se nesse cenário, evidenciando como espaços destinados a mulheres são alvo recorrente de violência digital.

Resposta da organização e apoio da comunidade

Embora não tenha acionado a polícia desta vez, Catão afirma que costuma expor publicamente os agressores para conscientizar o público. A postura gerou solidariedade de coletivos LGBTQIA+ e de frequentadoras, que reforçam o caráter acolhedor da festa. “A Fancha é muito mais que um evento; é uma rede de apoio”, resume a produtora.

Inclusão de mulheres trans e pessoas não binárias

Críticas de transfobia também surgiram após uma promotora ironizar mensagem de um homem cis que alegava ser “gênero fluido” para tentar entrar. Catão reforça que o evento sempre foi validado por mulheres trans e pessoas não binárias, presentes tanto no público quanto na equipe. Nos comentários, a Marcha do Orgulho Trans refutou o uso indevido da acusação, destacando que o termo não deve servir de escudo para evitar responsabilização.

Com frequentadoras de 20 a 50 anos, a Fancha segue como ponto de encontro e fortalecimento de vínculos sáficos em São Paulo. Apesar do desgaste emocional, a organização garante que manterá a proposta de um espaço seguro, livre de assédio masculino.

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Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Divulgação/Flor Leticia/Festa Fancha

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