Tamara Klink narra invernagem solo no Ártico inédito. A velejadora paulista de 28 anos passou oito meses ancorada em mar congelado entre 2023 e 2024, tornando-se a primeira mulher oficialmente registrada a permanecer um inverno sozinha nos polos.
Falando português, alimentando-se de tapioca e ouvindo Cartola, Tamara redefiniu a própria rotina em temperaturas extremas. A experiência está descrita no livro “Bom dia, Inverno”, que a Companhia das Letras lança em maio, e também em um documentário em produção.
Tamara Klink narra invernagem solo no Ártico inédito
A aventura do Ártico não foi isolada. Em 2025, a brasileira navegou da Groenlândia ao Alasca e completou, em 45 dias, a Passagem Noroeste – rota que o explorador Roald Amundsen venceu em três anos, em 1905. Tamara tornou-se a mulher mais jovem do mundo e a primeira pessoa da América Latina a realizá-la em solitário.
Antes dessas façanhas, a velejadora já havia cruzado o Atlântico, em 2020, a bordo de um barco de apenas oito metros. Na época, não contou com o suporte técnico do pai, Amyr Klink, que fez travessia semelhante nos anos 1980. “Ele sempre me empurrou do ninho”, resume.
Durante o rigoroso inverno ártico, a atleta enfrentou temperaturas negativas, noite polar prolongada e até a visita inesperada de um urso. O conhecimento adquirido com caçadores locais — ligar o motor para afugentar o animal — garantiu a segurança a bordo. Em entrevista à revista Marie Claire, Tamara explicou que o maior ganho foi “libertar-se do olhar dos outros” e focar na própria sobrevivência.
A navegação solitária também exigiu planejamento de mantimentos. Inicialmente adepta de alimentos veganos estocados na França, ela passou a pescar na Groenlândia, onde nada cresce do solo congelado. Essa adaptação “reduz lixo e aumenta autonomia”, contou.
Ao comparar o cotidiano no mar com a vida em terra, a velejadora observa que “quem atravessa a rua todo dia em São Paulo se expõe a mais perigos do que eu dentro do barco que conheço cada pedacinho”. Segundo ela, o preparo psicológico e físico reduz riscos e evidencia a fragilidade da rotina urbana.
Especialistas confirmam a relevância dessas conquistas. De acordo com a National Geographic, mudanças climáticas aceleram o degelo no Ártico e encurtam janelas de navegação, o que explica a diferença de tempo entre a viagem de Amundsen e a de Tamara.
Reconhecida internacionalmente, a paulista recebeu o Young Voyager Award da Cruising Club of America, no New York Yacht Club. Em seu discurso, incentivou futuras gerações: “Farei o meu melhor para que mais meninas brasileiras sonhem alto na terra e no mar”.
Imagem: Marcus Sabah No Title.
Além de relatos para executivos e estudantes, Tamara reforça o papel da infância em suas escolhas: “A pessoa que mais devemos agradar é a criança que fomos”. Para ela, aventuras extremas proporcionam aprendizado constante, da matemática do “mínimo necessário” ao valor de um simples copo d’água derretido de um iceberg.
No retorno à civilização, a velejadora sente estranhamento com o consumo exagerado. “O mundo não nos dirá ‘fiquem satisfeitos’. Sempre faltará algo”, afirma, citando a pressão por produtos e aparências. A distância do espelho, durante meses, fortaleceu a percepção de que identidade vai além da imagem.
Em 2026, com o barco ancorado no Alasca, Tamara planeja novas rotas polares, mantendo a premissa de aprender com cada milha percorrida. “Temos que amar as coisas difíceis e a solidão”, diz, ecoando Rainer Maria Rilke.
Para quem acompanha suas travessias, a brasileira resume o espírito de exploração: “Quando uma mulher é a primeira a fazer algo, significa que agora outras podem sonhar também”.
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Crédito da imagem: Marcus Sabah (No Title.).


