Deficiência de vitamina B12: jovem quase perde movimentos

Deficiência de vitamina B12 resultante de anos de alimentação baseada em produtos ultraprocessados levou a estudante Marília Pantaleon Altafim, hoje com 32 anos, a quase perder a capacidade de andar.

O caso começou em 2014, quando ela tinha 19 anos e vivia em São Paulo. Sem saber cozinhar, substituiu refeições caseiras por lasanhas, hambúrgueres e pizzas industrializadas, além de macarrão instantâneo, chocolate branco e bebidas alcoólicas nos fins de semana.

Deficiência de vitamina B12: jovem quase perde movimentos

Três anos depois de adotar esse cardápio, surgiram formigamentos nas pernas que evoluíram para queimaduras intensas. A dor impossibilitou a continuidade na faculdade e no trabalho recém-iniciado. Exames neurológicos, tomografias e ressonâncias não apontavam alterações, enquanto os sintomas se multiplicavam: cansaço extremo, infecções urinárias recorrentes e insônia.

Sem conseguir ficar de pé, Marília passou a se arrastar pelo chão ou ser carregada pelo pai. Analgésicos opiáceos fortes e indutores de sono não traziam alívio efetivo. O diagnóstico só apareceu após a repetição de exames de sangue, que revelaram deficiência severa de vitamina B12, baixos níveis de ácido fólico e ferro.

A reposição de B12 por via injetável trouxe alívio imediato. Em poucas semanas, a estudante passou da cadeira de rodas às muletas e, logo depois, recuperou totalmente os movimentos. Hoje, ela prepara as próprias refeições, prioriza alimentos in natura e mantém suplementação oral de B12.

De acordo com a nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), dietas ricas em ultraprocessados entregam calorias, mas carecem de micronutrientes, configurando a chamada “fome oculta”. As vitaminas do complexo B são essenciais para produção de energia, formação de células sanguíneas e proteção dos neurônios. A falta de B12 afeta a bainha de mielina, provocando formigamentos, perda de sensibilidade e até prejuízos cognitivos.

Além da alimentação inadequada, problemas de absorção intestinal, uso prolongado de determinados medicamentos e o envelhecimento também podem reduzir os níveis de B12. “Quando o diagnóstico é precoce, a recuperação costuma ser completa; atrasos podem deixar sequelas permanentes”, alerta Prado.

Informações médicas sobre sintomas neurológicos da carência de B12 são detalhadas pela Johns Hopkins Medicine, reforçando a importância de investigar sinais como formigamentos persistentes e fraqueza muscular.

Para evitar a deficiência, especialistas recomendam variabilidade alimentar com carnes magras, leite, ovos e leguminosas fortificadas, além de acompanhamento médico para avaliar a necessidade de suplementação.

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Crédito: Reprodução

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