Enfermeira do Paraná luta para evitar erros hospitalares

Enfermeira do Paraná decide a rotina de uma ala inteira do Hospital Regional de Ponta Grossa com um propósito claro: impedir que outras famílias revivam a tragédia que marcou a sua. Aos 23 anos, Taynara transformou em carreira o trauma vivido pela irmã gêmea, Tamiris, que perdeu a visão ainda na incubadora por um descuido da equipe neonatal.

A história começou em 2002, quando a gestação gemelar, considerada de alto risco, levou a mãe das meninas ao já extinto Hospital Evangélico de Ponta Grossa. Prematuras de seis meses e meio, elas precisaram ser transferidas para União da Vitória e passar um mês na incubadora. Foi nesse período que Tamiris teve a retina queimada, possivelmente durante sessões de fototerapia ou ventilação inadequada, como aponta o diagnóstico recebido pela família.

Enfermeira do Paraná luta para evitar erros hospitalares

O impacto da cegueira da irmã moldou cada escolha de Taynara. Na adolescência, enquanto ajudava nos cursos de braile e cálculo adaptado oferecidos a Tamiris, ela percebeu que o cuidado profissional poderia ser um caminho. Aos 16 anos ingressou em um estágio na Secretaria de Saúde e, pouco depois, foi aprovada no vestibular de Enfermagem. “Entendi na disciplina de neonatologia que eu precisava estar ali para cobrar protocolos e comunicação”, conta.

Formada no início de 2024, Taynara assumiu a chefia de equipe exatamente na antiga maternidade onde deveria ter nascido. Hoje atuando em cuidados paliativos, ela mantém uma rotina de auditorias internas, revisa prescrições e reforça práticas simples, como a higienização das mãos, para evitar falhas que, segundo ela, “podem marcar uma pessoa para sempre”. O Ministério da Saúde estima que eventos adversos ocorrem em até 9% das internações no país, dado usado por Taynara para conscientizar colegas (confira o levantamento oficial).

Apesar da responsabilidade, a enfermeira admite que o sistema ainda impõe barreiras. “O piso salarial não é cumprido, a carga é pesada e os casos de agressão verbal são constantes”, explica. Mesmo assim, enxerga na profissão uma forma de ressignificar a dor familiar. Tamiris, hoje com diploma em Pedagogia, encontrou no esporte outro caminho: é atleta paralímpica de goalball pela Seleção Brasileira Juvenil e compete nos 100 m e 200 m rasos.

O apoio mútuo entre as gêmeas foi decisivo para que ambas superassem a infância marcada por viagens longas dos pais e apenas uma hora diária de visita ao hospital. Com a ajuda de uma professora que acompanhou a dupla da 1ª à 5ª série, elas aprenderam braile, uso da bengala e recursos táteis. “Nossa sala tinha colegas com autismo, surdez e outras deficiências; a inclusão era natural”, lembra Taynara.

Aos nove anos, Tamiris já demonstrava resiliência: venceu um concurso de redação do Projeto Agrinho com a frase “espero que, quando eu crescer, o mundo que eu não vejo continue como imagino”. A mensagem acompanha Taynara durante cada plantão. “Eu lembro disso quando reforço com a equipe que tratamos vidas e almas, não apenas prontuários”, afirma.

Para o futuro, a jovem planeja especializar-se em Segurança do Paciente e criar um programa interno de capacitação contínua. “Quero que novos profissionais entendam, desde o estágio, que pequenos detalhes salvam funções inteiras, como a visão de um recém-nascido”, diz.

No dia a dia, a gêmea que enxerga empresta olhos à que perdeu a visão, enquanto a atleta paralímpica devolve força à enfermeira. Juntas, elas transformam uma falha médica em motivação para que outras famílias não carreguem sequelas evitáveis.

Se você se interessa por histórias de superação e bem-estar, confira também nossas dicas de autocuidado em Saúde e Beleza e continue acompanhando nossas reportagens.

Crédito da imagem: Reprodução/TikTok

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