Recorde de feminicídios: Brasil tem 399 casos em 3 meses

Recorde de feminicídios foi registrado no Brasil entre janeiro e março de 2026, totalizando 399 mulheres mortas por motivo de gênero, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A marca representa aumento de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2025, elevando a média para quatro vítimas por dia.

O Sudeste concentrou a maior parte dos crimes, com São Paulo liderando (86 casos) e Minas Gerais em seguida (42). No Sul, o Paraná registrou 33 feminicídios, ocupando a terceira posição nacional. Trata-se do terceiro ano consecutivo em que o país bate recorde de ocorrências desse tipo de violência letal.

Recorde de feminicídios: Brasil tem 399 casos em 3 meses

O levantamento federal também apontou 6.289 vítimas de estupro no período, sendo 5.614 mulheres — uma alta de 0,22% diante de 2025. Novamente, o Sudeste despontou como a região mais afetada, destacando-se o Rio de Janeiro (1.635) e São Paulo (935). Os dados, contudo, não trazem recorte racial das vítimas.

Entre os casos que chocaram o país está o da soldada Gisele Alves, encontrada morta com um tiro na cabeça em seu apartamento na capital paulista, em fevereiro. O principal suspeito é o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente.

A Lei do Feminicídio, sancionada em 9 de março de 2015, tipificou o assassinato de mulheres por razões de gênero no Código Penal. Em 2024, o crime deixou de ser apenas uma qualificadora do homicídio para ganhar autonomia, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão. Segundo a ONU Mulheres, a legislação brasileira está entre as mais avançadas da América Latina, mas a eficácia depende de prevenção e monitoramento constantes.

Para enfrentar a escalada da violência, o governo executou as operações Mulher Segura e Alerta Lilás entre fevereiro e março. No período, 24.337 vítimas receberam atendimento, 18.002 medidas protetivas foram acompanhadas, 5.238 pessoas acabaram presas e 302 mandados de prisão foram cumpridos.

Especialistas apontam que o monitoramento estatístico, aliado a políticas públicas de prevenção e proteção, é decisivo para frear a curva de feminicídios. Eles defendem, ainda, a ampliação de casas de acolhimento, canais de denúncia e formação de agentes de segurança em perspectiva de gênero.

Apesar das iniciativas, os números revelam que a violência contra a mulher continua avançando e exige atenção permanente da sociedade e dos órgãos de Estado.

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Imagem: Reprodução

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