Flavia Aranha expande moda sustentável com saberes ancestrais. Aos 41 anos, a estilista brasileira consolida uma proposta que une moda, território e filosofia, fazendo da roupa um reflexo da memória de quem planta o algodão, tinge o tecido e cuida de cada etapa.
Para Aranha, “a roupa é a nossa casa”: ela sente, protege e guarda histórias. Essa visão direciona a marca que leva seu nome, construída sobre práticas sustentáveis e uso de corantes naturais.
Flavia Aranha expande moda sustentável com saberes ancestrais
A virada na carreira ocorreu em 2007, durante uma viagem à China e à Índia. Lá, a estilista conheceu um grupo de mulheres que aplicava tingimento natural e percebeu o caminho que desejava trilhar. Desde então, passou a integrar técnicas ancestrais a pesquisa científica, inovação de processos e tecnologia.
Esse conceito ganhou forma na loja de Paraty, no litoral fluminense. O espaço tem chão de areia, obrigando quem entra a tirar os sapatos e pisar descalço. A ideia é estimular presença, criar vulnerabilidade e permitir que a experiência com a roupa comece antes mesmo de vesti-la.
No piso superior, funciona uma escola de tingimento natural com oficinas semanais que utilizam crajiru, urucum, casca de romã e catuaba, entre outras plantas. Práticas como essas são detalhadas em estudos, como o relatório da Embrapa sobre o urucum, que descreve propriedades corantes do fruto.
A marca reflete a mesma lógica de colaboração em suas coleções. Durante a última Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), apresentou uma linha assinada em parceria com a Casa Sete Selos e a artista Laura Berbert, mesclando frases de autoras brasileiras a bordados caligráficos.
Além do endereço em Paraty, Aranha mantém loja na Vila Madalena, em São Paulo, e distribui peças em pontos de venda espalhados pelo Brasil e por Portugal. A próxima etapa de expansão prevê uma unidade em Belém, onde a coleção “Biomas” avançará da Mata Atlântica para a Amazônia.
Imagem: Divulgação
A decisão de viver na Mata Atlântica influencia o vocabulário de criação. A estilista aprendeu nomes de plantas, peixes e caminhos locais; seu filho de dois anos reconhece espécies no quintal. Essa imersão levou ao desenvolvimento da coleção “Biomas”, cuja primeira fase homenageia a floresta que agora faz parte do cotidiano da família.
Para 2025, Aranha revela que as próprias plantas “vão mostrar quem são elas”, indicando que futuras peças continuarão a traduzir a paisagem em cor e textura.
Assim, a trajetória de Flavia Aranha demonstra como saberes ancestrais podem dialogar com inovação e mercado, fortalecendo uma moda que respeita cadeias produtivas, território e meio ambiente.
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Crédito da imagem: Divulgação/Camilla Loreta; Divulgação/Caia Ramalho; Divulgação/Julia Von Zeidler


