Juliano Cazarré reacendeu o debate sobre masculinidade durante sua participação no GloboNews Debate de terça-feira (12), ao questionar pautas feministas e defender a necessidade de “resgatar valores masculinos”.
Ao lado da psicanalista Vera Iaconelli e do consultor em equidade de gênero e raça Ismael dos Anjos, o ator contestou a existência de uma “cultura do estupro”, disse que homens estariam rotulados como “tóxicos” e criticou políticas de combate à violência de gênero. Suas falas repercutiram rapidamente nas redes sociais.
Juliano Cazarré reacende debate sobre masculinidade
Cazarré rejeitou o rótulo de masculinista, mas usou argumentos biologizantes para afirmar que “o cérebro masculino é diferente do feminino” e que isso definiria papéis sociais distintos. Ele também citou, sem apresentar fonte, que “mulheres matam mais homens do que o número de feminicídios registrados”, comparação contestada por Ismael dos Anjos. O especialista lembrou que feminicídio é um crime específico, motivado por gênero, e que 1,5 mil casos foram registrados em 2022, sem englobar todos os assassinatos de mulheres.
Reação de especialistas às declarações
Para Vera Iaconelli, a proposta de discutir masculinidade deve incluir a reflexão sobre como certos padrões de comportamento masculinos afetam a vida das mulheres. “Quando as mulheres dizem ‘parem de nos matar’, não pedem que homens deixem de ser homens, mas que repensem sua forma de exercer a masculinidade”, afirmou.
Maíra Recchia, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-SP, avaliou que discursos que falam em “retomar a masculinidade” costumam gerar desconfiança entre mulheres por remeterem a estruturas de poder já superadas. Segundo ela, muitas interpretam esse movimento como tentativa de frear avanços em igualdade de gênero.
Masculinidade em disputa: riscos e caminhos
A socióloga Bruna Camilo apontou que a narrativa de “crise da masculinidade” ganhou força porque transforma a perda de privilégios masculinos em sensação de perseguição. “Setores masculinistas oferecem respostas simplificadas para questões complexas, o que pode reforçar comportamentos de controle e violência”, disse.
Especialistas defendem que um debate saudável sobre masculinidade envolva responsabilidade emocional, respeito, autocontrole e cuidado com a saúde mental dos homens — pontos que, segundo Recchia, ajudam a reduzir violências doméstica e psicológica. Já Camilo ressalta que ampliar possibilidades de existência masculina, em vez de restaurar hierarquias, é fundamental para prevenir discursos de ódio.
Diferenciar dados e entender violência de gênero
Ismael dos Anjos enfatizou a importância de distinguir homicídios comuns de feminicídios, crime definido pela motivação de gênero. Dados oficiais reforçam que a violência contra a mulher permanece alta no Brasil; segundo a ONU Mulheres, o país registra uma das maiores taxas de feminicídio da América Latina.
Imagem: Divulgação
Vera Iaconelli completou que muitos homens reagem ao feminismo como se estivessem sob ataque, quando, na verdade, são convidados a integrar o cuidado e a empatia à sua identidade. “O cuidado só será possível quando eles escutarem as mulheres”, destacou.
Na avaliação dos convidados, a popularização de conteúdos “red pill” e antifeministas mostra que diálogos amplos e baseados em dados são urgentes para evitar retrocessos em direitos de gênero.
Ao final do programa, Cazarré manteve seu posicionamento e voltou a divulgar o congresso “O Farol e a Forja”, evento que, segundo ele, buscará “resgatar a coragem masculina”.
Para especialistas, a discussão deve avançar rumo a modelos de masculinidade que promovam igualdade, sem reforçar hierarquias ou legitimar violência.
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Crédito da imagem: GloboNews Debate


