Ginecologista acusado de estupro vira réu por 23 casos é a expressão que marca a prisão preventiva do médico Marcelo Arantes e Silva, 50 anos, investigado por abusar sexualmente de 23 pacientes em Goiânia e Senador Canedo, Goiás, entre 2017 e 2026.
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher apura toques libidinosos, falas sexualizadas e até masturbação durante consultas. As vítimas têm entre 18 e 45 anos, e uma delas relatou violência ocorrida na presença da filha adolescente.
Ginecologista acusado de estupro vira réu por 23 casos
De acordo com a delegada Amanda Menuci, responsável pelo inquérito, o médico “agiu como predador sexual”, conquistando a confiança das pacientes antes de ultrapassar os limites éticos. Os procedimentos descritos incluem apalpação dos seios durante exames de toque vaginal e movimentos circulares em ultrassom endovaginal, acompanhados de comentários fora do contexto clínico.
A Polícia Civil não descarta a existência de outras vítimas. Os processos tramitam sob sigilo para resguardar a identidade das mulheres, mas a tipificação é de estupro de vulnerável, crime que prevê pena de 8 a 15 anos de reclusão.
Como reconhecer uma conduta imprópria
Consultórios ginecológicos são ambientes de vulnerabilidade. Qualquer desconforto é sinal de alerta, segundo a advogada Débora Nicodemo, especialista em direito da saúde. Para ela, o procedimento legítimo precisa cumprir três requisitos básicos: a paciente deve entender o motivo, a finalidade e consentir claramente com cada etapa.
Touch sem explicação, exames desnecessários ou comentários de cunho sexual podem configurar assédio ou crime. Nicodemo reforça: “O jaleco não autoriza abuso. A paciente tem autonomia para dizer não”.
Direitos assegurados em lei
A Lei 14.737/2023 garante acompanhante, homem ou mulher, durante todo o atendimento, em unidades públicas ou privadas. A presença de outra pessoa é recomendada, sobretudo quando o profissional é do sexo masculino.
Em nota, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) divulgou manual de conduta que proíbe insinuações sexuais, piadas, perguntas indiscretas e aproximação física inoportuna. O documento também orienta o médico a solicitar consentimento etapa a etapa e a cobrir áreas não examinadas. O texto completo pode ser consultado no material público da entidade (Febrasgo).
Passo a passo para denunciar
1. Registre boletim de ocorrência, preferencialmente em Delegacia da Mulher.
2. Solicite cópia do prontuário para verificar a necessidade de cada procedimento.
3. Guarde mensagens, fotos, vídeos ou gravações que ajudem a comprovar a violência.
4. Denuncie também ao Conselho Regional de Medicina (CRM) para abertura de processo ético.
5. Busque reparação civil pelos danos físicos e emocionais.
“A denúncia protege outras mulheres e impede a continuidade do comportamento abusivo”, resume Nicodemo.
Imagem: Getty s
Possíveis novas vítimas
Menuci pede que pacientes que tenham passado pelo consultório de Arantes desde 2017 procurem a delegacia se identificarem qualquer irregularidade. O contato pode ser feito de forma sigilosa.
Este caso reforça a importância de ambientes médicos seguros e da valorização da palavra da vítima, como defende o manual da Febrasgo. A investigação segue e, se condenado, o ginecologista poderá perder o registro profissional além de cumprir pena de prisão.
No Brasil, mais de 80% dos casos de violência sexual não são denunciados, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Especialistas pontuam que a quebra do silêncio é fundamental para reduzir a impunidade.
Para dúvidas e orientações adicionais, o telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher) funciona 24 horas em todo o país.
Manter-se informado é o primeiro passo para enfrentar a violência.
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Crédito da imagem: Foto: Polícia de Goiás


