Mulher motorista de caminhão abandona marido e realiza sonho

Mulher motorista de caminhão Jhulia Avila, 28 anos, passou 11 anos lutando contra violência doméstica e preconceito até conquistar a carteira de habilitação categoria E e ingressar como motorista canavieira na Usina Batatais, no interior de São Paulo.

Nascida em Franca e criada em São José da Bela Vista, Jhulia cresceu cercada de caminhoneiros da família. Mesmo assim, viu o então marido proibir seus planos de dirigir veículos pesados, impondo que permanecesse em casa cuidando das filhas Aline e Alice.

Mulher motorista de caminhão abandona marido e realiza sonho

Determinada, ela escondeu economias para pagar aulas na autoescola, mas acabou descoberta e pressionada a abandonar o curso. As discussões aumentaram quando soube das sucessivas traições do companheiro, culminando em agressão física. Foi a gota d’água: Jhulia recolheu pertences básicos, pegou as duas crianças — então com seis e dois anos — e deixou o lar.

Após breve passagem por moradias alugadas, mudou-se para Batatais, onde viviam os pais. Durante a pandemia, sustentou as filhas com o auxílio emergencial e trabalhos temporários como faxineira, vendedora e balconista de padaria, enquanto juntava dinheiro para avançar na habilitação. “Meu pai disse que, se era meu sonho, eu precisava correr atrás”, lembra.

O esforço resultou na carteira categoria D e, depois, na tão desejada categoria E. Nesse período, conheceu Lucas, hoje marido e pai de Henrique, de dois anos. Com apoio incondicional, ela tornou-se instrutora de autoescola e, em março de 2025, foi contratada pela Usina Batatais — referência regional no setor sucroenergético.

No posto de bate-volta, função inicial que envolve carregar, descarregar e realizar manobras complexas, Jhulia adquiriu experiência antes de seguir para as frentes de corte de cana. Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte, apenas 4% dos motoristas profissionais no país são mulheres, o que torna sua história ainda mais simbólica.

A conquista da casa própria, há um mês, coroou a reviravolta. “Entrei na cidade com minhas roupas enroladas numa coberta em 20 de março de 2020 e, exatamente cinco anos depois, comecei no emprego dos meus sonhos”, comemora. Hoje, afirma ser “a melhor mãe possível” e planeja crescer na operação de campo, dirigindo caminhões cada vez maiores.

Para outras mulheres em situação semelhante, a motorista deixa recado: “Sonho não tem gênero. Persistam e busquem apoio de quem realmente torce por vocês”.

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Crédito da imagem: Arquivo pessoal

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