Brasileira cruza o Atlântico em veleiro e relata 24 dias de mar aberto, ondas de até sete metros e infiltrações a bordo. A carioca Gabriela Waked, 29 anos, concluiu a travessia sem escalas entre St. Maarten, no Caribe, e o arquipélago dos Açores, em Portugal, ao lado da norueguesa Mara Løvenskiold, 35.
A viagem de mais de quatro mil milhas náuticas foi decisiva para que Løvenskiold some quilometragem exigida em uma futura regata solo de volta ao mundo. Para Waked, que vive como nômade há quatro anos, o convite significou mais um capítulo da parceria iniciada em 2024, quando as duas se conheceram em um projeto de navegação para iniciantes.
Brasileira cruza o Atlântico em veleiro de 12 metros
O percurso foi feito em um barco de 12 m equipado para longas distâncias. Sem preparação física extra, Waked confiou na sintonia com a amiga. “O que ela pede, eu entendo e executo; e ela sabe que posso lidar com imprevistos”, resume.
Vigílias noturnas e rotina a bordo
As duas adotaram turnos rígidos. Das 23h às 2h, a brasileira vigiava instrumentos, ajustava a rota e monitorava outras embarcações. Mesmo fora de serviço, o corpo precisava compensar o balanço constante, o que tornava o descanso fragmentado.
Para poupar energia, refeições eram preparadas em grandes porções e reaquecidas. “Qualquer tarefa exige equilíbrio; acabamos cochilando ao longo do dia”, diz. A falta de espaço também pesou: acostumada a exercícios diários, Waked precisou buscar distrações em filmes, leituras e karaokê improvisado.
Tempestades, infiltrações e sete metros de onda
A parte mais crítica ocorreu durante uma madrugada de mar grosso. Ondas de até sete metros obrigaram a dupla a conduzir o leme manualmente. Perto da chegada, ventos contrários empurraram o veleiro para longe dos Açores durante três dias, provocando frustração e entrada de água na cabine.
Mesmo nesses momentos, elas encontraram maneiras de manter o ânimo. Quando o desgaste físico atingiu o auge após dez dias, Løvenskiold anunciou: “Hoje será o melhor dia da viagem”. Seguiram-se panquecas, videogame e música, virando a moral a bordo.
Imagem: Reprodução
Companheirismo em alto-mar
A convivência foi fundamental. Na véspera da chegada, Waked preparou uma festa surpresa de aniversário para a norueguesa com balões e panquecas de chocolate. Pequenas celebrações ajudaram a transformar o convívio em parceria estratégica contra o tédio.
Aprendizados e próximos passos
De volta à terra firme, a brasileira destaca a força da natureza: “Ela é imensa e nós não somos nada perto dela”. Mas também reforçou a autoconfiança: “Percebi que consigo enfrentar qualquer situação se focar no presente”. Após descanso na Itália, Waked planeja seguir para os Bálcãs e encarar a trilha dos Sete Picos, partindo da Albânia.
Para saber mais sobre navegação oceânica e rotas históricas do Atlântico, consulte a Enciclopédia Britannica, referência internacional em geografia marítima.
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