Masturbação feminina: quando ela supera o sexo no casal

Masturbação feminina tem ganhado destaque em relatos de mulheres que, mesmo satisfeitas na relação, preferem o prazer a sós ao sexo com o parceiro. A francesa Appoline**, na casa dos 30, chegou a se masturbar escondida enquanto o companheiro dormia ou cuidava do jardim, despertando dúvidas sobre sua própria normalidade.

Segundo contou, ela alcançava o orgasmo em “1 minuto e 30 segundos” sozinha, algo que lhe trazia culpa por temer que a prática refletisse falta de desejo pelo namorado, Eric**. A situação ilustra um debate cada vez mais frequente sobre autonomia sexual feminina e expectativas dentro dos relacionamentos.

Masturbação feminina: quando ela supera o sexo no casal

A psicanalista e sexóloga Catherine Blanc, de Paris, explica que a sociedade historicamente condicionou o prazer feminino à iniciativa masculina. Hoje, com mais informação e liberdade, mulheres descobrem meios próprios de se satisfazer, sem depender do outro. “A questão é saber se ela foge do parceiro ou apenas controla melhor seu desejo”, pontua a terapeuta.

Para Blanc, optar por estímulos rápidos e individuais é compreensível num mundo que transforma o orgasmo em meta e a frustração em fracasso. “Servimos a nós mesmas melhor que qualquer pessoa”, resume, lembrando que a pressa cotidiana estimula soluções imediatas e solitárias para o prazer.

Essa preferência, porém, não significa crise conjugal. Charlotte, 33, diz estar apaixonada e ver a masturbação como momento pessoal, não como competição com o parceiro. Já Céline**, 37, divide a vida sexual entre a companheira e um vibrador, sem conflitos: “Ela sabe que me masturbo com frequência e nunca se incomodou”.

O ponto crítico surge quando um dos parceiros sofre com a mudança de frequência sexual. “Se a outra pessoa se sente excluída, o diálogo é indispensável”, orienta Blanc. A recomendação é abordar o tema com leveza, carinho e até humor, reforçando que ambas as práticas podem coexistir.

Para Appoline, a falta de iniciativa tornou-se rotina. “Eu tinha preguiça de procurá-lo; sem perceber, esperei que fosse sempre ele a começar”, relata. O comportamento, segundo a especialista, aponta menos para a perda de desejo individual e mais para um distanciamento geral do outro: quando a autossuficiência sexual supre todas as necessidades, a lacuna que impulsiona o desejo diminui.

Blanc destaca que desejar alguém exige reconhecer uma carência própria. “Se sinto que me satisfaço completamente sozinha, a necessidade do outro desaparece.” Ainda assim, ela descarta qualquer padrão de “normalidade” único. O importante é avaliar se ambos no casal estão confortáveis com a dinâmica.

Dados recentes do Organização Mundial da Saúde mostram que conversas francas sobre sexualidade reduzem ansiedade e melhoram a satisfação mútua. Falar abertamente, portanto, é o primeiro passo para evitar interpretações de exclusão.

Blanc aconselha estabelecer momentos de intimidade compartilhada, sem abolir a masturbação individual. “É possível desfrutar dos dois mundos: prazer a sós e conexão física com o parceiro”, afirma. Para ela, a chave reside em transformar a masturbação em aliada, não em adversária do relacionamento.

Se houver desconforto, o casal pode buscar terapia sexual. Profissionais especializados auxiliam na negociação de expectativas e na ressignificação do erotismo. As sessões costumam abordar técnicas de comunicação e exercícios de autoconhecimento corporal que beneficiam os dois lados.

Em síntese, preferir a masturbação não é, por si só, um problema. Torna-se questão apenas quando um dos envolvidos sente-se emocionalmente ou fisicamente prejudicado. Transparência, respeito e disposição para adaptar rotinas sexuais são fundamentais para manter o vínculo saudável.

No caso de Appoline, a conversa franca permitiu que o casal compreendesse suas necessidades individuais e combinasse novos momentos de intimidade. “Ele entendeu que não se tratava de rejeição, e nós redescobrimos formas de nos encontrar”, conclui.

O tema reforça a evolução da autonomia feminina e convida a repensar a ideia de que prazer a dois deve ser o único indicador de um relacionamento sólido.

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Crédito da imagem: Getty Images

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