Simbiosexualidade: entenda a atração dirigida a casais é o termo usado para descrever pessoas que sentem desejo ou interesse romântico não por indivíduos isolados, mas pela dinâmica formada por duas pessoas em relacionamento.
Coined pela pesquisadora Sally W. Johnston em 2021, a expressão ganhou corpo acadêmico com estudo divulgado em 2024 na revista Archives of Sexual Behavior, no qual 38,9% dos 373 participantes afirmaram já ter experimentado esse tipo de fascínio coletivo.
Simbiosexualidade: entenda a atração dirigida a casais
De acordo com Johnston, a palavra deriva de “simbiose”, relação biológica de troca mútua, e reflete a energia, a intimidade e o poder compartilhados que o casal projeta. A sexóloga Michelle Sampaio, da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), explica que o elemento central é “a reação que aquelas duas pessoas produzem juntas”, não necessariamente o desejo de interagir sexualmente com elas.
Os dados da pesquisa mostram que, entre os que já sentiram atração por casais, 70% relataram experiências sexuais com duplas e 59,4% viveram envolvimentos afetivos. Ainda assim, Sampaio diferencia fantasia, desejo e comportamento: a pessoa pode preferir que a experiência permaneça apenas na imaginação.
Como identificar a simbiosexualidade
Para distinguir uma simples admiração da atração genuína, a especialista sugere uma reflexão prática: se o casal se separasse, o interesse persistiria? Caso a resposta seja negativa, a atração provavelmente está na interação, não nos indivíduos.
Diferenças para voyeurismo, poliamor e ménage
Simbiosexualidade descreve uma forma de atração; já poliamor e não-monogamia referem-se a modelos de relacionamento, enquanto voyeurismo e ménage dizem respeito a práticas sexuais ou fetiches. Assim, uma pessoa pode ser simultaneamente simbiosexual e poliamorosa, mas um aspecto não implica o outro. A mesma independência vale para quem gosta de observar relações alheias ou deseja sexo a três.
Quando a fantasia se transforma em possibilidade real, comunicação e consentimento são essenciais. “São três pessoas envolvidas; limites e expectativas precisam ser acordados”, enfatiza Sampaio. Matéria do BBC News também destaca a importância de conversas francas para prevenir frustrações em vínculos não convencionais.
Imagem: Unsplash
Panorama rápido da pesquisa
- 38,9% dos respondentes já sentiram atração por casais.
- 70% desses tiveram experiências sexuais com duplas.
- 59,4% relataram envolvimento romântico em contexto similar.
Os resultados sugerem que sentir interesse pela conexão alheia é mais comum do que se imagina e pode compor o espectro das orientações afetivo-sexuais reconhecidas pela ciência.
Para quem percebe traços de simbiosexualidade no próprio desejo, autoconhecimento, diálogo e respeito aos limites dos envolvidos são caminhos indicados por especialistas.
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