Esclerose múltipla: designer recebe diagnóstico aos 30 anos

Esclerose múltipla marcou o aniversário de 30 anos da designer de produto Maria Izabel Albuquerque Gontijo, moradora de Goiânia (GO). A profissional de 31 anos convive com a doença desde novembro de 2023, depois de meses de sintomas intermitentes e consultas sem resposta definitiva.

O primeiro sinal apareceu em fevereiro de 2023: formigamento nas pernas. À época, Gontijo atribuía o incômodo à falta de movimentação e ao fim de um relacionamento de quase seis anos. O desconforto sumiu em poucas semanas, enquanto ela iniciava práticas de ioga, meditação e psicoterapia.

Esclerose múltipla: designer recebe diagnóstico aos 30 anos

Quatro meses depois, novos alertas surgiram. Em junho, o pé direito amanheceu dormente, sensação que se estendeu ao pé esquerdo e à região íntima no dia seguinte. Procurou então um pronto-socorro ortopédico, mas saiu com suspeita de ansiedade. Mesmo após ressonância magnética da lombar sem alterações, outros dois ortopedistas reforçaram o diagnóstico equivocado e prescreveram ansiolíticos.

Entre idas e vindas a consultórios, a situação se agravou em novembro, quando a mão esquerda perdeu força. “Eu não conseguia amarrar o cadarço nem segurar uma faca”, recorda. Orientada por um ortopedista das mãos, procurou finalmente um neurologista, que passou a suspeitar de esclerose múltipla (EM) antes mesmo de receber os exames de imagem completos.

Sintomas e desafios do diagnóstico

A esclerose múltipla é doença autoimune que atinge cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. O sistema imunológico agride a bainha de mielina, causando lesões que geram formigamentos, perda de força, alterações visuais e desequilíbrio, explica a neurologista Anna Letícia Moraes, do Hospital Samaritano Higienópolis. Conforme a especialista, o tempo médio até a confirmação do diagnóstico varia de seis meses a dois anos, já que os sintomas podem imitar outras condições, como crises de ansiedade, problemas de coluna e até deficiências vitamínicas.

No caso da designer, a ressonância do crânio revelou múltiplas lesões ativas. Na consulta que coincidiu com o seu aniversário, ela ouviu pela primeira vez a hipótese definitiva de EM. “Não chorei nem me desesperei. Queria apenas saber se existia tratamento e se poderia viver bem”, conta.

Tratamento e qualidade de vida

Gontijo passou por pulsoterapia, regime de altas doses de corticoide por três dias. Os resultados apareceram rapidamente: o formigamento nos pés cessou, a sensibilidade abdominal voltou e a força da mão começou a retornar. Concluiu ainda três meses de fisioterapia e reforçou a rotina de musculação.

Hoje, faz uso de imunobiológicos — iniciou com Natalizumabe e, atualmente, recebe Ocrelizumabe —, mantém acompanhamento psicológico e relata ter a doença controlada. “Arrisco dizer que sou mais saudável agora do que antes do diagnóstico”, afirma.

Alerta para reconhecer sinais precoces

A história da designer ilustra a importância de buscar avaliação neurológica diante de formigamentos persistentes, perda de força inexplicada ou alterações visuais súbitas. Quanto mais cedo a esclerose múltipla é identificada e tratada, menores as chances de sequelas permanentes provocadas pelos surtos inflamatórios.

Para quem convive com sintomas semelhantes, profissionais de saúde reforçam a necessidade de exames de imagem adequados e acompanhamento especializado, evitando que diagnósticos de ansiedade ou problemas ortopédicos retardem o tratamento correto.

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Crédito da imagem: Foto: Arquivo pessoal

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