Morte de Kathlen Romeu: mãe cobra julgamento 5 anos depois

Morte de Kathlen Romeu completa cinco anos nesta segunda-feira (8), e a mãe da designer de interiores, Jackelline Lopes, usou as redes sociais para expressar a dor que persiste e exigir que o caso finalmente seja julgado.

Em um texto carregado de emoção, ela descreveu sensação de “tristeza, abatimento e cansaço”, mas reiterou que não desistirá de buscar punição para os responsáveis pelo disparo que tirou a vida da filha grávida, atingida por um tiro de fuzil durante operação da Polícia Militar no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio, em 8 de junho de 2021.

Morte de Kathlen Romeu: mãe cobra julgamento 5 anos depois

No desabafo, Jackelline afirmou sentir-se “apática” e “vazia”, relatando crises de ansiedade e dores físicas decorrentes do luto. Ainda assim, destacou que permanece “movida a amor” e que falar de Kathlen continua sendo “um prazer, mesmo com a alma sangrando”. A mãe organiza, para esta noite, uma missa em memória da filha, às 19h, na Paróquia Santa Bernadete, em Higienópolis, Zona Norte da capital.

O processo criminal avança lentamente. Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano responderão a júri popular pela morte de Kathlen, mas a data do julgamento não foi definida. Em março deste ano, a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou esses dois agentes e o colega Rafael Chaves de Oliveira por fraude na cena do crime, com base no artigo 23 da Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019).

Jackelline critica a demora: “São cinco anos sem o mínimo de reparação social que chamam de justiça”, escreveu. Ela promete “buscar justiça ao máximo rigor da lei até o fim” e reafirma que a memória da filha e do neto jamais será esquecida.

Além do clamor familiar, o caso ganhou projeção nacional por se somar a outras denúncias de violência policial. Organizações de direitos humanos acompanham o inquérito e cobram providências. Segundo o G1, a Defensoria Pública e o Ministério Público acompanham de perto a preparação do júri para garantir transparência.

A missa desta segunda-feira será aberta ao público e deve reunir parentes, amigos e ativistas. Para Jackelline, a cerimônia é mais um passo na tentativa de transformar a dor em luta: “Vocês vivem e iremos nos reencontrar”, afirmou, referindo-se à filha e ao neto que não chegou a nascer.

Mesmo desgastada emocionalmente, ela encerrou o texto com um sinal de esperança: “Ouvi que, mesmo triste, eu estava bonita. Não tive dúvidas de que é sua luz me resplandecendo”.

O caso de Kathlen Romeu permanece sem data de julgamento, mas, para a família, cada ano que passa reforça a urgência de ver a lei ser aplicada. Enquanto isso, a mãe garante que continuará transformando saudade em mobilização social.

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Foto: Reprodução/ Instagram

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