Grávida após FIV, a atleta amadora e ex-modelo Babi Beluco, 38 anos, celebrou a confirmação da primeira gestação depois de três anos de tentativas, exames e ciclos de fertilização in vitro. O resultado positivo veio justamente quando ela se preparava para uma das provas mais cobiçadas do calendário mundial, a Maratona de Tóquio.
Entre treinos intensos e consultas médicas, Babi enfrentou um processo de hormonização que incluiu cerca de 20 testes de gravidez negativos, pausas nos exercícios e dúvidas sobre a própria saúde. Ainda assim, manteve a corrida como refúgio emocional durante grande parte do tratamento.
Grávida após FIV, atleta descobre gestação antes da maratona
A trajetória da paulistana reúne desafios físicos e psicológicos. Na adolescência, ela iniciou a corrida acompanhada do pai, mas a carreira de modelo impôs pressão pela magreza extrema. Dietas restritivas e longos períodos sem menstruar culminaram em anorexia severa, fator que afetou sua fertilidade anos depois. “Meu corpo era meu cartão de visitas e, muitas vezes, eu não sentia direito sobre ele”, relembra.
Quando a pandemia suspendeu as competições, Babi viu a chance de iniciar o tratamento de fertilização in vitro. Apesar do privilégio de ter acesso ao procedimento no Brasil, cada ciclo trouxe novas frustrações. As injeções diárias, a espera pelos embriões e as ordens médicas para interromper os treinos criaram tensão no casamento e abalaram a autoconfiança da atleta.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a infertilidade atinge cerca de 17,5% da população adulta global, reforçando a dimensão do obstáculo que Babi enfrentou. “Eu já aplicava as injeções no automático e me perguntava se valia a pena continuar”, recorda.
Exausta, ela e o marido decidiram interromper o tratamento em 2024. Babi retomou os treinos e conquistou, por meio de sorteio, uma vaga para Tóquio – processo considerado tão concorrido quanto a própria gestação, segundo ela. A agência que gerencia sua carreira sugeriu um vídeo-anúncio simulando uma gravidez para divulgar a participação na prova. A ironia veio logo depois: os sintomas de taquicardia e mal-estar nos primeiros treinos de 2025 indicavam algo real.
Uma amiga, ao ouvir as queixas, levantou a hipótese de gravidez. Babi comprou dois testes “apenas para desencargo de consciência” e, pela primeira vez, viu os dois tracinhos aparecerem. O exame de sangue confirmou o resultado e, grávida de Tom – nome escolhido pelo casal –, ela negociou o adiamento da maratona.
Hoje, com 37 semanas, a atleta comemora a mudança de perspectiva. “Achei que perderia meu lado esportista, mas participei de provas grávida, correndo devagar, e me descobri ainda mais forte”, diz. O medo de não corresponder às expectativas sociais sobre maternidade deu lugar à certeza de que pode inspirar o filho com seu exemplo de resiliência.
Imagem: Gabriel Bertcel
Apesar de abrir mão dos paces rápidos, Babi manteve a corrida como parte da rotina pré-natal. Sob orientação médica, reduziu intensidade e volume, mas garante que o esporte contribuiu para o bem-estar durante toda a gestação. Ela também passou a compartilhar sua experiência para ajudar outras mulheres que enfrentam a infertilidade, alertando sobre o impacto de dietas extremas e distúrbios alimentares na saúde reprodutiva.
Entre os aprendizados, a ex-modelo destaca a importância da rede de apoio. O marido foi o principal sustentáculo emocional, enquanto amigos e familiares respeitaram o momento do casal, principalmente quando as tentativas não deram certo. “Sem eles, seria impossível segurar a ansiedade”, admite.
Nesta reta final, Babi se prepara para a chegada de Tom e para retomar os planos de correr as seis majors – conjunto das maiores maratonas do mundo. A etapa de Tóquio ficou para 2026, mas a atleta já enxerga a prova com novos olhos: “Quero cruzar a linha de chegada sabendo que meu filho verá que a mãe dele nunca desistiu”.
No futuro, Babi pretende voltar aos treinos completos, conciliando maternidade e esporte de alto rendimento. Enquanto isso, reforça que cada mulher deve respeitar seus limites e procurar orientação profissional durante qualquer tratamento de fertilidade. “Com calma, chegamos onde precisamos”, resume.
Para mais dicas de bem-estar e histórias que inspiram, visite nossa editoria de saúde e beleza e continue acompanhando nossas publicações.
Foto: Gabriel Bertoncel


