Personal trainer paraplégica Tatiane Santana, 29 anos, enfrenta há dez meses a recuperação de uma lesão medular sofrida no mesmo dia em que foi pedida em casamento. O acidente, ocorrido em 24 de outubro de 2024, transformou completamente a rotina da moradora de Uberlândia (MG), mas também revelou avanços surpreendentes em sua reabilitação.
A viagem romântica ao Rio de Janeiro, que incluiu Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios e Petrópolis, terminou com o pedido de noivado. A aliança, porém, ficou guardada no banco traseiro porque estava larga — detalhe que ganhou significado trágico horas depois, quando o casal voltava para casa.
Personal trainer paraplégica após acidente no dia do noivado
Faltando cerca de 20 minutos para chegar a Uberlândia, um veículo em sentido contrário tentou ultrapassagem proibida, colidiu na lateral do carro de Tatiane e provocou uma sequência de batidas. O automóvel capotou mais de seis vezes antes de despencar em uma ribanceira de oito metros. Mesmo feridos, Tatiane e o noivo ainda foram abordados por saqueadores que levaram a aliança e outros pertences.
Internação crítica e cirurgias sucessivas
Foram 39 dias de internação, seis deles na UTI e três em coma. A personal trainer chegou ao hospital com saturação de 44% e pressão arterial baixíssima, apresentando fratura exposta de fêmur esquerdo, dez lacerações no intestino e fratura na vértebra T12. No total, passou por três cirurgias: correção das lacerações, colocação de hastes no fêmur e estabilização da coluna.
Até a intervenção na coluna, qualquer movimento podia agravar a medula. Durante mais de 20 dias, Tatiane permaneceu imobilizada, enfrentando dores intensas que nem a morfina controlava. “Os primeiros 20 dias foram terríveis”, recorda.
Diagnóstico de paraplegia e fase de negação
A confirmação de paraplegia veio já no quarto, mas a ficha só caiu em casa, fora do efeito de opióides. Sem controle total da bexiga e do intestino, Tatiane chorava diariamente. “O dia mais feliz da minha vida se tornou o pior”, resume.
A lesão na T12 comprometeu movimentos e sensibilidade da cintura para baixo, além de funções automáticas, como explicam especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Segundo o ortopedista Marcelo Risso, nervos medulares não se regeneram como outros tecidos, mas casos parciais podem evoluir com fisioterapia intensiva.
Reabilitação surpreendente
Fisioterapia pélvica, neurofuncional, hidroterapia e sessões de neuromodulação compõem o programa de Tatiane. Em apenas dez meses, ela já se movimenta com auxílio de andador. “Acredito que é só o começo”, afirma. O objetivo é maximizar cada avanço dentro das condições financeiras disponíveis.
Imagem: pessoal
Planos e superação
Apesar das limitações, a personal trainer planeja retomar a carreira e oficializar o casamento. O processo inclui reaprender tarefas diárias, adaptar a casa e lidar com a nova dinâmica emocional. A história de Tatiane destaca a importância da fisioterapia precoce e do apoio familiar no enfrentamento de lesões graves.
Para quem vive situação semelhante, a recomendação de profissionais de saúde é buscar centros especializados, manter consistência nos exercícios e cuidar da saúde mental, pilares que potencializam a recuperação.
Resumo: em 24 de outubro de 2024, um capotamento transformou o dia do noivado de Tatiane Santana numa luta contra a paraplegia. Desde então, ela soma conquistas que reforçam a esperança de voltar a andar sem apoio.
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Crédito da imagem: Arquivo pessoal


