Suplementos que prometem aumentar a libido feminina ganharam espaço nas prateleiras brasileiras, mas especialistas alertam para limites e riscos dessas fórmulas.
Propagandas destacam benefícios como melhor lubrificação, energia extra e até “salvação” de relacionamentos. No Brasil, ao menos oito produtos desse tipo estão à venda sem necessidade de receita, seguindo a tendência internacional puxada por celebridades.
Suplementos para libido feminina funcionam? Veja evidências
Um dos casos de maior repercussão é o Lemme Play, goma criada por Kourtney Kardashian que combina maca-peruana, gengibre orgânico e o composto patenteado S7, comercializado a US$ 30 por frasco. A enxurrada de resenhas no TikTok descreve o item como revolucionário, apesar da escassez de estudos robustos que confirmem essas declarações.
O que está dentro dessas cápsulas
Formulações do segmento costumam incluir plantas medicinais tradicionais — maca-peruana, ginseng coreano, múcuna, damiana e feijão-da-flórida — além de cafeína e cranberry. Segundo a ginecologista Juliana Vieira Honorato e o endocrinologista Ricardo Barroso, alguns desses ingredientes apresentam indícios de melhora do fluxo sanguíneo ou do bem-estar geral, mas os efeitos variam de pessoa para pessoa.
Regulação mais branda que a dos medicamentos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica tais produtos como suplementos alimentares, não remédios. Isso significa que a empresa precisa provar apenas a segurança para consumo, e não a eficácia prometida. A própria Anvisa frisa em seu portal oficial (consultar diretrizes) que alegações terapêuticas não são permitidas nas embalagens.
Consumo em alta no país
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) mostram alta de 8 % na venda de suplementos em 2020, ano em que 59 % dos lares brasileiros tinham ao menos um usuário. Preço acessível, marketing agressivo e busca por soluções rápidas ajudam a explicar o crescimento.
Quando o suplemento vira atalho
A divulgadora científica Mari Krüger adverte que misturas com vitaminas e extratos vegetais podem esconder deficiências reais — de vitamina D ou B12, por exemplo — e mascarar causas estruturais de queda da libido, como ansiedade, depressão ou fadiga crônica.
Baixa libido tem múltiplas causas
Estudo da Universidade do Planalto Catarinense indica que 67,2 % das mulheres em idade fértil relatam diminuição do desejo sexual, motivada por estresse, efeitos de anticoncepcional hormonal ou rotina extenuante. A pesquisa da ONG Think Olga acrescenta que 83 % das brasileiras se sentem sobrecarregadas, situação que impacta diretamente o apetite sexual.
Imagem: Reprodução
Questão também é social
Honorato lembra que fatores como dupla jornada de trabalho, falta de educação sexual centrada na mulher e desigualdade de gênero interferem no desejo. “Não basta ingerir uma cápsula e esperar picos de tesão”, resume.
O veredito dos especialistas
Suplementos para libido feminina podem oferecer leve melhora a algumas consumidoras, desde que o produto seja prescrito após avaliação clínica. Porém, não substituem acompanhamento médico nem mudanças de estilo de vida. A automedicação, mesmo com rótulo “natural”, pode gerar frustração e gastos desnecessários.
Para quem busca alternativas seguras, a orientação é procurar um profissional de saúde, realizar exames e adotar hábitos que favoreçam o bem-estar integral — sono adequado, atividade física e diálogo aberto sobre sexualidade.
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