Hepatite medicamentosa: estudante escapa de transplante

Hepatite medicamentosa foi o diagnóstico que quase levou a estudante de nutrição Letícia Prado, 20 anos, a um transplante de fígado após tomar albendazol por três dias, sob prescrição médica, para tratar problemas intestinais.

Vinte dias depois do uso do vermífugo, a moradora de Belo Horizonte percebeu a pele amarelada e a urina mais escura. No pronto-socorro, exames revelaram enzimas hepáticas extremamente elevadas, obrigando internação imediata.

Hepatite medicamentosa: estudante escapa de transplante

Durante seis dias de investigação hospitalar, a bilirrubina de Letícia subiu até 22 mg/dL (o normal é até 1 mg/dL). “Meu fígado quase precisou ser transplantado”, relatou. A retirada do medicamento foi a primeira medida, seguida de acompanhamento intensivo por hepatologista.

Sintomas que exigem atenção

Segundo a hepatologista Lisa Saud, do Hospital Nove de Julho, a inflamação causada por fármacos, suplementos ou chás costuma ser silenciosa. Quando surgem sinais, os mais relatados são:

  • Mal-estar e cansaço;
  • Distensão abdominal;
  • Amarelamento da pele e olhos;
  • Urina escurecida;
  • Fezes esbranquiçadas.

Caso qualquer um desses sintomas apareça após uso de medicamentos, o paciente deve procurar atendimento. O Ministério da Saúde também alerta para o consumo responsável de fármacos em nota oficial (fonte).

Do diagnóstico à hepatite autoimune

Ainda internada, Letícia passou por novos exames e por biópsia hepática, que confirmaram hepatite autoimune (HAI). Essa condição é caracterizada por inflamação crônica mediada pelo sistema imunológico, podendo evoluir para cirrose ou insuficiência hepática.

O tratamento padrão inclui corticóide combinado a imunossupressores, como azatioprina. Letícia ficou um ano sob prednisona e azatioprina, enfrentando efeitos colaterais como insônia e faltas recorrentes às aulas. Apesar das dificuldades, os exames de controle recentes indicam estabilidade.

Entenda a hepatite medicamentosa

A hepatite medicamentosa pode ser provocada por analgésicos, antibióticos, anticonvulsivantes e até produtos “naturais”. Estudos apontam que a lesão ocorre por toxicidade direta ou reação idiossincrática, dependente da genética do usuário e do metabolismo hepático.

A principal forma de prevenção é seguir rigorosamente a prescrição, evitar automedicação e informar ao médico sobre outras substâncias ingeridas. Quando detectada precocemente, a retirada do agente agressor normalmente reverte o quadro.

Recuperação e lições

Letícia retomou as aulas de nutrição e mantém consultas regulares. “Hoje observo qualquer sinal do corpo e não tomo nada sem orientação”, disse. Especialistas reforçam que mesmo medicamentos amplamente utilizados, como o albendazol, podem causar danos graves em situações específicas.

Para quem busca manter a saúde do fígado, a orientação é simples: exames de rotina, alimentação equilibrada e cautela com remédios. Em caso de suspeita de hepatite medicamentosa, procure um serviço de emergência com exames laboratoriais disponíveis.

Quer saber mais sobre cuidados diários com o corpo? Visite nossa seção de Saúde e Beleza e continue informado.

Crédito da imagem: Arquivo pessoal

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.
Rolar para cima