Reconstrução mamária: paciente supera frustração

Reconstrução mamária foi o caminho encontrado pela jornalista Regiane Chiereghim, de Santo André (SP), para recuperar a autoestima depois de enfrentar um câncer de mama diagnosticado em 2023 pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Aos 49 anos, ela passou por uma mastectomia na mama esquerda com colocação imediata de prótese de silicone, mas o implante ficou desproporcional e localizado cerca de dois centímetros abaixo da outra mama, gerando dor e insatisfação.

Reconstrução mamária: paciente supera frustração

Regiane conta que não foi consultada sobre o tamanho ou o posicionamento da prótese. “Se tivessem perguntado, eu escolheria um volume menor, mesmo que fosse necessário reduzir a outra mama”, recorda. Além da assimetria, a jornalista sofreu dores intensas na costela esquerda, atribuídas ao mal posicionamento do implante.

Cirurgia inicial e frustração

Na tentativa de ajustar o resultado, seis meses após a mastectomia Regiane retornou à cirurgiã plástica que a operou. Segundo ela, o pedido de redução e elevação da prótese foi recebido com desdém. “Saí do consultório me sentindo a pior mulher do mundo”, relata.

Segunda opinião traz acolhimento

A busca por uma nova avaliação mudou o rumo da história. Na segunda consulta, a paciente recebeu explicações detalhadas sobre tipos de implante, técnicas de correção e formas de minimizar cicatrizes. O cirurgião apresentou fotos de casos semelhantes, facilitando a tomada de decisão.

Técnicas e cuidados na reconstrução

Conforme o cirurgião plástico Fernando Amato, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, não existe protocolo único de reconstrução mamária. A escolha depende do tumor, do tecido disponível e das condições clínicas. “Muitas vezes, a reconstrução imediata não é definitiva; pode exigir várias etapas”, afirma.

Entre as opções estão implantes de silicone, expansores, retalhos musculares e transplantes de tecido do abdômen ou das coxas. Para a aréola e o mamilo, podem ser usadas técnicas de tecido autólogo, próteses específicas ou micropigmentação tridimensional, que simula projeção da papila.

Amato lembra que fatores como obesidade, tabagismo, diabetes descontrolada e radioterapia aumentam riscos cirúrgicos. Além disso, contratura capsular e mal posicionamento do implante exigem acompanhamento anual com exames de imagem. Dados atualizados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) reforçam a necessidade de monitoramento contínuo.

Nova cirurgia e retorno da autoestima

O plano cirúrgico de Regiane incluiu retirada do implante, costura interna para alinhar o sulco mamário, colocação de prótese menor e redução da mama direita. Realizada em fevereiro de 2024, a operação eliminou as dores na costela.

Durante o procedimento, um sangramento adiou a reconstrução do mamilo e da aréola. Para evitar nova intervenção, a jornalista optou por tatuagem que simula a região. “Nunca ficará idêntico, mas ao me olhar no espelho voltei a me sentir mulher e minha sexualidade melhorou”, comemora.

Ela observa que, para muitas pessoas, a presença de silicone após a mastectomia parece resolver o problema. “Nunca estará tudo bem para quem teve a mama mutilada pelo câncer. É preciso enxergar a dor que fica na mulher”, conclui.

Casos como o de Regiane mostram que alinhar expectativas entre paciente e cirurgião é essencial para resultados estéticos e funcionais satisfatórios.

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Crédito: Arquivo pessoal

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