Complicações da cirurgia bariátrica levaram a carioca Raquel Guimarães, 31 anos, a passar quase cinco anos sem conseguir andar, após um procedimento realizado em 2014 para tratar a obesidade.
Antes da operação, a jovem enfrentava 120 quilos, pré-diabetes e apneia do sono. O sucesso inicial da bariátrica, porém, cedeu lugar a cãibras, lapsos de memória, vômitos persistentes e perda rápida de peso, sinais de um quadro de desnutrição grave.
Complicações da cirurgia bariátrica impedem jovem de andar
Internada em estado crítico, Raquel chegou a 39 quilos. Exames indicaram deficiência severa de tiamina (vitamina B1), responsável por encefalopatia de Wernicke, condição neurológica que causa confusão mental e convulsões. O médico Edward Pinto de Lima Junior, que assumiu o caso, destaca que hoje se reconhece melhor a importância de uma equipe multidisciplinar no pré e pós-operatório.
Desnutrição e recuperação alimentar
Para contornar a estenose gástrica, o estômago da paciente foi dilatado e uma sonda nasogástrica instalada. Como as crises convulsivas faziam a paciente arrancar o tubo — reposicionado mais de 15 vezes —, os médicos optaram por implantar a sonda diretamente no pescoço. Somente após meses de terapia nutricional Raquel voltou a se alimentar por via oral, reforçando a relevância do suporte vitamínico recomendado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.
Atrofia muscular e perda de mobilidade
Durante três meses no CTI, a estudante permaneceu sem fisioterapia adequada, desenvolvendo atrofia muscular severa. Com as pernas rígidas, ela perdeu a capacidade de estender os joelhos e, consequentemente, de caminhar. “Me deixaram com as pernas dobradas e, quando percebi, já não conseguia esticar mais”, lembra.
A reabilitação exigiu duas cirurgias corretivas, cada uma com fixador externo, para recuperar a extensão dos membros inferiores, além de sessões intensivas de fisioterapia. O processo foi doloroso, mas, segundo Raquel, essencial para sua autonomia.
Da cadeira de rodas à faculdade de fisioterapia
Os primeiros sinais de sensibilidade trouxeram esperança, seguidos dos movimentos. Com apoio familiar e acompanhamento fisiátrico, Raquel voltou a andar. Em 2023, após quase uma década afastada dos estudos, ela retomou o curso de fisioterapia e hoje está no quinto período, determinada a atuar em reabilitação e terapia intensiva.
Imagem: pessoal
“A bariátrica não foi um erro. O que aconteceu poderia ter sido evitado com acompanhamento adequado”, afirma. A experiência pessoal se tornou motivação profissional: “É a coisa mais linda do mundo você passar da cadeira de rodas para o andador”.
Casos como o de Raquel reforçam a necessidade de seguimento médico, nutricional e psicológico contínuo após a cirurgia, bem como da fisioterapia precoce para prevenir atrofias e encurtamentos musculares.
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Crédito: Arquivo pessoal


