Pressão 12×8 passa a ser pré-hipertensão, dizem diretrizes

Pressão 12×8 passa a ser pré-hipertensão, dizem diretrizes. A atualização apresentada no Congresso Brasileiro de Cardiologia redefine o limite considerado “ideal” e amplia a atenção aos fatores que afetam o coração feminino, da primeira menstruação à menopausa.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), manter a pressão em 12×8 já indica aporte de risco e deve acionar mudanças de estilo de vida. O conceito de pré-hipertensão, semelhante ao de pré-diabetes, surge para incentivar intervenções precoces, como parar de fumar, praticar atividade física regular e controlar o peso.

Pressão 12×8 passa a ser pré-hipertensão, dizem diretrizes

A cardiologista Sheyla Cristina Tonheiro Ferro da Silva, autora da nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, esclarece que a classificação não significa diagnóstico de hipertensão, mas um alerta oficial para prevenção. O documento foi elaborado em conjunto com a Sociedade Brasileira de Hipertensão e a Sociedade Brasileira de Nefrologia.

No pré-natal, a conduta clínica permanece: gestantes só iniciam tratamento medicamentoso quando a pressão atinge ou supera 14×9. Ainda assim, a diretriz reforça o monitoramento rigoroso para evitar complicações como a pré-eclâmpsia, principal causa de mortalidade materna no país, caracterizada por pressão elevada acompanhada de perda de proteínas na urina e inchaço excessivo.

O congresso também lançou o primeiro posicionamento da SBC dedicado à saúde cardiometabólica feminina. O texto reúne especialistas para avaliar como condições ligadas ao ciclo de vida da mulher — síndrome dos ovários policísticos, endometriose, diabetes gestacional, menarca e menopausa — somam-se a fatores sociais, como poluição, estresse e violência doméstica, elevando o risco cardiovascular.

Durante a gestação, episódios de hipertensão ou diabetes gestacional dobram a probabilidade de doença cardíaca nos anos seguintes. Já na menopausa, o risco cardiovascular das mulheres se iguala ao dos homens. A cardiologista enfatiza que terapia hormonal trata sintomas como fogachos e insônia, mas não reduz o risco de infarto ou AVC; a base da prevenção continua sendo atividade física, alimentação equilibrada e moderação no consumo de álcool e açúcar.

Para a SBC, médicos e pacientes precisam considerar a história reprodutiva e o contexto social na avaliação de exames. “O corpo primeiro sussurra, depois fala e, no final, berra”, alerta a especialista, lembrando que muitas mulheres colocam a própria saúde em segundo plano.

Mais detalhes sobre as diretrizes podem ser consultados no site da Sociedade Brasileira de Cardiologia, referência nacional em pesquisa cardiovascular.

Em síntese, a nova classificação de pressão 12×8 como pré-hipertensão e o foco inédito na saúde cardiometabólica feminina marcam uma virada na prevenção de doenças cardíacas no Brasil. Quer saber como manter seus hábitos em dia e proteger seu coração? Explore outras dicas de bem-estar em nosso portal e continue acompanhando nossa editoria de saúde.

Crédito da imagem: Divulgação/Sociedade Brasileira de Cardiologia

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