Clarissa Tossin no MASP inaugura, até 1º de fevereiro de 2026, a mostra “Ponto sem retorno”, primeira individual da artista no Brasil que costura menopausa, ancestralidade e colapso climático.
Instalada na icônica sala do primeiro andar projetada por Lina Bo Bardi, a exposição integra o ano temático “Histórias da Ecologia” e reposiciona a trajetória internacional da artista gaúcha para o público brasileiro.
Clarissa Tossin no MASP aborda menopausa e crise climática
Curada por Guilherme Giufrida, a seleção reúne pinturas, instalações e monotipias que mesclam corpo, plantas e pigmentos. O eixo é o ecofeminismo: Tossin faz analogia entre o esgotamento hormonal da menopausa e o esgotamento ambiental do planeta.
Na série “Piante Vagabonde”, a artista imprime partes do próprio corpo nu sobre ervas consideradas indesejadas. Fios de cabelo aparecem sobre as telas para evidenciar a transformação física e lembrar a finitude de todas as formas de vida.
A dimensão familiar emerge em “Mortalhas para as Deusas”, produzida em parceria com a mãe, de 84 anos. Impressões corporais cobertas por base de maquiagem em tons variados questionam a ideia de natureza associada apenas à fertilidade e juventude.
Obra central da mostra, “Volume Morto” cobre todas as paredes com terra coletada em áreas alagadas do Rio Grande do Sul, estado natal de Tossin. O gesto transforma o espaço neutro do museu em lama, inserindo o público dentro da catástrofe ambiental.
Segundo Giufrida, a decisão de posicionar cavaletes no centro da sala faz o MASP “entrar no problema” e romper a distância entre espectador e desastre climático. O curador afirma que visitantes já relacionam a instalação a enchentes em diferentes regiões do país.
A crítica ao consumo global aparece em “Manta”, colcha criada com sacos reciclados da Amazon em parceria com a irmã, Moema. O quilt transforma tradição doméstica em reflexão política sobre exploração de recursos e lógica extrativista.
Imagem: Reprodução
Para o MASP, receber a individual de Tossin é estratégico: além de alinhar-se ao calendário dedicado à ecologia, reposiciona no Brasil uma artista com carreira consolidada em museus norte-americanos. “Era o momento certo de atualizar o debate sobre arte ecológica feita por uma mulher brasileira”, diz o curador.
O título “Ponto sem retorno” vem das ciências ambientais, indicando o limiar irreversível na temperatura da Terra. Para Tossin, porém, a proposta não é apocalíptica, mas um convite à consciência e à mudança coletiva.
Informações sobre programação e ingressos podem ser conferidas no site oficial do MASP, disponível em https://masp.org.br/.
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Crédito da imagem: Reprodução/Instagram @noahstone


