Anulação de concurso da USP é contestada por aprovada

Anulação de concurso da USP tem sido alvo de críticas da professora e doutora em Literatura Érica Bispo, primeira colocada no certame para a cadeira de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo. A docente afirma que sua nomeação foi cancelada depois que seis candidatos brancos recorreram administrativamente, alegando proximidade dela com integrantes da banca avaliadora e falta de qualificação.

O Conselho Universitário da instituição acatou o recurso e anulou o resultado com base em fotos publicadas nas redes sociais em que Érica aparece ao lado de duas professoras avaliadoras. A universidade considerou as imagens indicativas de “amizade íntima” e, por isso, de possível favorecimento.

Anulação de concurso da USP é contestada por aprovada

A professora rebate a decisão, classificando o questionamento como “discriminatório”. Ela sustenta ter sido aprovada por mérito, com notas altas e unânimes dos cinco examinadores. Segundo Érica, as fotos exibem encontros acadêmicos em congressos realizados entre 2019 e 2022, cenário comum num campo de pesquisa reduzido como o das literaturas africanas.

Recurso interno diverge de parecer do Ministério Público

O mesmo material apresentado à USP foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que instaurou inquérito civil, ouviu todos os envolvidos e decidiu arquivar o caso. No parecer, o MP apontou ausência de ato doloso, de improbidade administrativa ou de qualquer dano ao erário, concluindo que não havia elementos para prosseguir com a investigação.

Para Érica, a diferença de conclusões entre o órgão externo e a universidade evidencia inconsistência. “Se não houve improbidade, por que anular o concurso?”, questiona. Ela também relata ter tido o direito à ampla defesa comprometido, pois, segundo a docente, uma manifestação técnica elaborada por seus advogados não foi anexada ao processo interno antes da deliberação do Conselho Universitário.

Posicionamento da USP e reabertura do certame

Em nota, o diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, professor Adrián Pablo Fanjul, afirmou que a homologação inicial foi revertida porque o conselho detectou “indícios de relações de proximidade” entre Érica e avaliadoras, respaldado pelas postagens analisadas. Informou ainda que a contratação chegou a ser iniciada, mas precisou ser cancelada, cabendo eventual reversão apenas na Justiça.

Com a anulação confirmada internamente, um novo edital foi publicado e as inscrições já estão abertas. A direção encorajou Érica a concorrer novamente. A professora, no entanto, argumenta que a reabertura põe em risco o reconhecimento de seu resultado original e amplia o prejuízo caso outra pessoa seja aprovada.

Corrida contra o tempo e mobilização nas redes

Após divulgar o caso em suas redes sociais, Érica recebeu apoio de estudantes, docentes e ativistas que questionam a decisão da USP e apontam possíveis motivações raciais no recurso dos demais candidatos. “Fui a única candidata preta”, lembra, sublinhando que o concurso representava avanço na representatividade de professores negros na universidade.

Enquanto aguarda decisão judicial, a docente reforça que pretende defender a validade do resultado homologado. “A hora é agora”, afirma, reiterando que seu desempenho foi avaliado com rigor pelos cinco examinadores.

Crédito: Reprodução

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