Marina Silva diz que COP30 deve marcar execução climática. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, defendeu que a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, prevista para novembro em Belém, seja o ponto de virada para colocar em prática compromissos já assumidos contra o aquecimento global.
Ao conceder entrevista em seu gabinete, a ex-senadora destacou que “não há futuro sem pensamento sustentabilista”. Aos 67 anos, ela afirmou que reduzir o desmatamento, eliminar combustíveis fósseis e financiar perdas e danos precisam sair do papel, lembrando que o pacto de limitar o aquecimento a 1,5 °C exige US$ 1,3 trilhão por ano em investimentos.
Marina Silva diz que COP30 deve marcar execução climática
Segundo Marina, a dificuldade em implementar as metas climáticas decorre do negacionismo e de interesses econômicos que “prevalecem sobre o direito à vida”. Ela ressalta que a próxima conferência deve inaugurar “uma agenda de execução” para acelerar ações como triplicar a capacidade de energia renovável e duplicar a eficiência energética.
Questionada sobre o Congresso Nacional, Marina classificou a maioria dos parlamentares como “desenvolvimentista”, mas reconheceu a existência de ala sustentabilista em diferentes espectros. Para ela, a sociedade poderá, em 2026, eleger representantes comprometidos com o clima, da mesma forma que já cobra saúde e educação.
A ministra também comentou a intersecção entre sua fé evangélica, a paixão pela psicanálise e a admiração por artes progressistas. Integrante da Assembleia de Deus, Marina relatou ouvir que “não é crente de verdade” por defender respeito à diversidade e encarar o aborto como questão de saúde pública. Apesar de não apoiar a descriminalização nos moldes tradicionais, ela considera hipócrita impedir o debate diante das mortes de milhares de mulheres sem assistência adequada.
Marina relembrou o hábito de confeccionar acessórios e roupas desde a adolescência no Acre, hábito que, segundo ela, simboliza suas raízes amazônicas e influencia sua estética política. A presilha de fibras douradas e sementes de açaí usada em sua trança foi produzida por ela própria e representa, afirma, “o caminho político pela natureza”.
Ao comparar as gestões de 2003 e a atual, Marina observou que o governo Lula retomou políticas ambientais desmontadas entre 2019 e 2022. Ela citou a redução de 46 % do desmatamento na Amazônia, 32 % no Brasil, 27,5 % no Cerrado e 77 % no Pantanal em apenas dois anos, além da demarcação de terras indígenas e fortalecimento de operações do Ibama.
Imagem: Diego Bresani
A ministra disse ainda que a frente ampla governista exige “integrar diferenças para criar algo novo” e que a condenação de réus pela tentativa de golpe em 8 de janeiro fortalece o Estado Democrático de Direito. Para combater o racismo ambiental, Marina defende reconhecer que populações negras e indígenas sofrem mais com enchentes e deslizamentos, “processos que vulnerabilizam pessoas”.
Em meio aos preparativos para a COP30, ela reforçou que todos os setores precisam adotar critérios de sustentabilidade. “A agenda climática não é da esquerda nem da direita, é de quem não nega a realidade”, declarou, citando a urgência de transição energética global descrita em relatórios da UNFCCC.
Resumo: Marina Silva pede ação imediata na COP30, denuncia obstáculos à agenda verde e mostra como concilia fé, psicanálise e política para defender justiça climática.
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Foto: Diego Bresani


