Menopausa acelera perda de colágeno e resseca pele; especialista aponta formas de amenizar efeitos

A queda brusca dos níveis de estrogênio que acompanha a menopausa, geralmente entre 45 e 55 anos, provoca alterações visíveis na pele, segundo a dermatologista Samara Kouzak, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O hormônio está ligado à firmeza e ao viço cutâneos; quando diminui, o rosto tende a ficar mais seco, flácido e com rugas acentuadas.

A médica afirma que receptores de estrogênio estão distribuídos em toda a pele, com maior concentração no rosto, na região genital e nas pernas. Estudos apontam que, nos primeiros cinco anos após a menopausa, a perda de colágeno pode chegar a 30% se nenhuma intervenção for feita. Esse processo soma-se à redução anual de cerca de 1% do colágeno a partir dos 25 a 30 anos, o que pode resultar em perda de até um quarto dessas fibras por volta dos 45 anos.

Principais mudanças cutâneas

Com menos estrogênio, a barreira cutânea se torna frágil, dificultando a retenção de água. O resultado inclui ressecamento, coceira, sensibilidade e menor turgor (sensação de pele firme). As ondas de calor — ou flushing — também são comuns: surgem como vermelhidão repentina no rosto e no pescoço por dilatação dos vasos sanguíneos.

Quando iniciar a prevenção

Não há idade fixa para começar os cuidados, explica Kouzak. Fatores como tipo de pele, melanina, hábitos alimentares, sono, exercícios, exposição solar e tabagismo influenciam o ritmo de envelhecimento. Contudo, entre 30 e 35 anos surgem os primeiros sinais, e a profissional recomenda avaliação dermatológica para definir estratégias preventivas caso ainda não exista rotina específica.

Rotina tópica recomendada

Entre os dermocosméticos com eficácia comprovada, a dermatologista destaca:

Retinoides (tretinoína e retinol) – padrão-ouro para rejuvenescimento; melhoram rugas finas, elasticidade, textura e pigmentação.
Hidratantes com ceramidas – restauram a barreira cutânea.
Vitamina E e niacinamida (vitamina B3) – reforçam hidratação e defesa da pele.
Antioxidantes tópicos – vitamina C e alfa-hidroxiácidos, como ácido glicólico, promovem renovação celular e uniformizam o tom.

Terapia de reposição hormonal (TRH)

Indicada para aliviar sintomas sistêmicos da menopausa, a TRH sistêmica é a intervenção com maior respaldo científico para atenuar alterações estruturais da pele, como perda de colágeno e elasticidade. Mesmo assim, não deve ser adotada apenas por motivos estéticos e precisa de avaliação médica individualizada.

Procedimentos estéticos complementares

Quando a flacidez e as rugas já se instalaram, procedimentos dermatológicos minimamente invasivos ajudam a recuperar firmeza e espessura da pele. Entre os mais usados estão:

Toxina botulínica – suaviza rugas dinâmicas.
Preenchimentos com ácido hialurônico – devolvem sustentação e hidratação.
Bioestimuladores de colágeno – estimulam formação de novas fibras e glicosaminoglicanos, retardando a perda de turgor.
Lasers, ultrassom microfocado e radiofrequência – aumentam produção de colágeno e melhoram flacidez.

Kouzak ressalta que, embora não seja possível impedir completamente as alterações decorrentes da queda hormonal, a combinação de cuidados tópicos, reposição hormonal bem indicada e procedimentos estéticos pode atenuar, retardar ou mesmo reverter parte dos efeitos. “Esses tratamentos, quando conduzidos por dermatologista, preservam saúde e aparência da pele diante das mudanças inevitáveis dessa fase da vida”, conclui.

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