Raquel Castanharo, fisioterapeuta especializada em biomecânica da corrida, transformou o próprio tratamento contra o câncer de mama em uma metáfora esportiva: para ela, cada sessão de quimioterapia equivale a um quilômetro da maratona que sempre sonhou concluir.
Aos 38 anos, a paulista soma 12 anos de prática na corrida. A modalidade começou como complemento profissional, mas ganhou espaço definitivo em sua rotina. Em 2025, depois de adiar por anos a distância de 42 km, ela decidiu encarar a Maratona do Rio — e recebeu o diagnóstico de câncer 17 dias antes da largada.
Raquel Castanharo compara quimioterapia a maratona
Mesmo com o resultado que indicava um tumor de 5 cm do tipo luminal B, Raquel foi autorizada pelos médicos a correr. “Foram 16 semanas de treinos e não fazia sentido abandonar”, lembra. Ao completar a prova, levou a medalha diretamente para a primeira sessão de quimio, iniciada em julho.
O plano terapêutico inclui quimioterapia vermelha e branca, cirurgia de adenomastectomia, radioterapia e bloqueio hormonal de cinco anos. “Foram 16 semanas de treino e 16 sessões de quimio. Cada ciclo é um quilômetro. Estou chegando ao 41, já vejo o pórtico de chegada”, compara.
Diagnóstico tardio e decisão pela linha de largada
O nódulo havia sido detectado em 2020, mas exames inconclusivos postergaram o acompanhamento. A confirmação veio em uma viagem à Espanha, onde Raquel faria o último longão de 32 km. O tipo luminal B costuma ter crescimento mais rápido do que outros subtipos hormonais, mas apresenta altas taxas de cura quando tratado de forma combinada, de acordo com a Cleveland Clinic, centro médico de referência nos Estados Unidos.
Exercício como ferramenta de recuperação
Durante a quimioterapia, a fisioterapeuta manteve caminhadas e sessões leves de fortalecimento. “Para a fadiga da quimio, atividade física é o único remédio que funciona. Caminhar me lembra que ainda sou capaz”, afirma. Nas redes sociais, onde reúne quase 600 mil seguidores, ela compartilha as adaptações na rotina, reforçando que tratamento oncológico não precisa significar interrupção total das atividades.
Cirurgia, radioterapia e o próximo desafio
A adenomastectomia está agendada para dezembro. O procedimento, realizado há mais de 20 anos em casos terapêuticos e preventivos, remove o tecido mamário interno, preservando pele e mamilo. A reconstrução é feita no mesmo ato cirúrgico, normalmente com prótese de silicone. “Depois virá a radioterapia e, por fim, o bloqueio hormonal. A medalha real só chega ao fim desse ciclo de cinco anos”, explica Raquel.
Imagem: Pessoal
Impacto nas redes e quebra de estereótipos
Ao mostrar treinos leves, consultas médicas e o cotidiano com dois filhos, ela combate a imagem de que pacientes oncológicos têm energia limitada. “O câncer muda a gente, mas não precisa nos paralisar”, resume.
Próxima maratona já no horizonte
Mesmo antes de concluir o tratamento, a fisioterapeuta projeta retornar à Maratona do Rio. “Quero fazer a prova de forma redonda, com ciclo completo e sem imprevistos. Foi lá que descobri que coragem também é questão de fôlego.”
No percurso entre quimioterapia, cirurgia e cinco anos de bloqueio hormonal, Raquel Castanharo continua a aplicar a própria ciência ao corpo em movimento — desta vez, o movimento que a leva rumo à cura.
Para saber mais sobre cuidados com o corpo durante tratamentos intensos e manter a qualidade de vida, leia também nosso guia completo em Saúde e Beleza e continue acompanhando nossas atualizações.
Crédito da imagem: Arquivo Pessoal


