E-mails do caso Epstein citam Trump, indicam novas questões — A divulgação de mais de 20 mil páginas de documentos pertencentes ao espólio de Jeffrey Epstein, nesta quarta-feira (12), expôs novos e-mails do caso Epstein que mencionam diretamente o ex-presidente Donald Trump e reacenderam o debate sobre a extensão dos laços entre ambos.
Os arquivos, divulgados pelos democratas da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, incluem correspondências entre Epstein e a socialite Ghislaine Maxwell, hoje presa por tráfico sexual, além de trocas com o escritor Michael Wolff, autor de livros sobre Trump.
E-mails do caso Epstein citam Trump, indicam novas questões
Nas mensagens de 2011, Epstein diz a Maxwell que “o cachorro que não latiu é o Trump” e afirma que a vítima — identificada nos autos originais como Virginia Giuffre — passou “horas” em sua casa ao lado do então empresário. Maxwell responde que vinha “pensando sobre isso”. Os democratas mantiveram o nome de Giuffre oculto para preservar a vítima, mas, segundo a BBC, a identidade consta nos documentos completos.
Em outra série de e-mails, datada de 2015 e 2016, Epstein e Michael Wolff discutem como Trump deveria reagir à imprensa sobre a amizade com o financista. Em 15 de dezembro de 2015, Wolff avisa que a CNN perguntará a Trump sobre o assunto; Epstein pondera sobre formular uma resposta. Wolff recomenda deixá-lo “se complicar sozinho” para obter ganhos políticos.
As conversas avançam até outubro de 2016, poucos dias antes da eleição presidencial. Wolff oferece a Epstein a chance de dar uma entrevista “capaz de acabar com Trump”. Já em janeiro de 2019, outro e-mail menciona Mar-a-Lago, residência oficial de Trump na Flórida, alegando que o então presidente “sabia sobre as garotas” e teria pedido a Maxwell que parasse.
Trump, que manteve amizade com Epstein por mais de uma década, voltou a negar qualquer envolvimento com crimes sexuais. Em suas redes sociais, o ex-mandatário acusou os democratas de “ressuscitar a farsa Epstein” para desviar a atenção da paralisação recorde de 43 dias do governo.
A Casa Branca reforçou a defesa. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que os e-mails “não provam absolutamente nada” contra Trump e acusou os democratas de vazamento seletivo. Ela destacou que Virginia Giuffre declarou nunca ter presenciado irregularidades do ex-presidente.
Imagem: Isac Nóbrega
Dentro do Partido Republicano, o tema causa desconforto. Reportagem da revista Time aponta questionamentos sobre a demora na liberação dos arquivos de Epstein. Segundo pesquisa Reuters de outubro, somente 40 % dos republicanos aprovam como Trump lidou com o caso, contrastando com 90 % de aprovação geral ao governo.
No Congresso, a pressão pela liberação integral dos chamados “Arquivos Epstein” cresce. Parlamentares democratas articulam votar na próxima semana a divulgação total, apesar da resistência da liderança republicana. Enquanto isso, sobreviventes pedem transparência. Annie Farmer, testemunha-chave no julgamento de Maxwell, declarou que “as sobreviventes merecem mais do que fragmentos de verdade”.
Jeffrey Epstein morreu em agosto de 2019, um mês após ser preso sob a acusação de comandar uma rede que abusou de mais de 250 meninas menores de idade. Ghislaine Maxwell cumpre 20 anos de prisão. Embora os novos documentos não apresentem provas diretas de ilegalidades cometidas por Trump, o conteúdo renova questionamentos sobre o que ele sabia à época dos crimes.
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Crédito da imagem: Reprodução/Netflix


