Tempo de tela: impacto direto na saúde da pele é o alerta que especialistas fazem diante das mais de nove horas diárias que os brasileiros passam diante de celulares, computadores e outros dispositivos, segundo o DataReportal 2025.
O índice coloca o Brasil na segunda posição mundial em tempo conectado, período que representa mais da metade das horas em que a população permanece desperta. Esse uso intenso cria um estado de demanda constante, associado a níveis elevados de ansiedade — transtorno do qual o país é líder global, conforme dados recentes da Organização Mundial da Saúde.
Tempo de tela: impacto direto na saúde da pele
Essa combinação de hiperconectividade e ansiedade reflete-se na pele. A dermatologista Lilia Guadanhim explica que o estresse crônico estimula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, elevando o cortisol, hormônio que desencadeia ou agrava quadros como rosácea, dermatite seborreica, dermatite atópica e queda capilar. “O cortisol afeta imunidade, sono e bem-estar emocional, repercutindo diretamente na saúde cutânea”, ressalta.
Como o estresse digital prejudica a barreira cutânea
A psicóloga Beatriz Sancovschi, da UFRJ, observa uma retroalimentação perigosa: pessoas ansiosas recorrem às telas como fuga, mas acabam recebendo ainda mais estímulos que reforçam o ciclo de tensão. Notificações incessantes mantêm o usuário em estado de prontidão, condição que a especialista define como “ansiedade em tempo real”. Esse mecanismo aumenta mediadores inflamatórios, deixando a pele mais sensível, seca e suscetível a eczemas.
Luz azul: mito, sono e efeito indireto na pele
A suspeita de que a luz azul das telas causaria hiperpigmentação foi refutada por estudos que indicam intensidade 200 vezes menor que a radiação solar. O problema real, destaca Guadanhim, é o impacto na qualidade do sono: a luz visível inibe a produção de melatonina, hormônio essencial para a reparação celular noturna. Noites mal dormidas comprometem a barreira cutânea e exacerbam inflamações.
Imagem: Getty s
Estrategias de proteção e recuperação
Para quebrar o ciclo, especialistas recomendam medidas combinadas:
- Definir limites de uso dos aparelhos, reduzindo notificações após o anoitecer.
- Praticar atividade física regular e técnicas de mindfulness para modular o cortisol.
- Adotar higiene do sono: luzes mais baixas, evitar cafeína e deitar apenas quando houver sonolência.
- Usar dermocosméticos antioxidantes e protetores solares com pigmentos de óxido de ferro, zinco ou dióxido de titânio, que blindam a pele contra luz visível.
- Recorrer, com acompanhamento médico, a procedimentos como bioestimuladores de colágeno, ultrassom microfocado e radiofrequência para recuperar firmeza e viço.
“A pele é o espelho das emoções”, sintetiza Guadanhim, lembrando que o tratamento deve ser integrado: cuidar da mente, estabelecer pausas digitais e fortalecer a rotina de skincare.
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