Câncer de próstata em mulheres trans ganhou destaque após a cartunista Laerte Coutinho, 74, revelar que enfrentou a doença aos 72 anos. Em entrevista concedida à revista Marie Claire, a artista enfatizou que pessoas trans mantêm órgãos designados ao nascer, o que demanda cuidados médicos específicos, sem que isso invalide a identidade de gênero.
Laerte contou que o diagnóstico surgiu depois de episódios de retenção urinária e investigação de sua geriatra em 2023. A notícia provocou preocupação, mas ela relata sentir-se segura graças ao acompanhamento profissional.
Câncer de próstata em mulheres trans: alerta de Laerte
Em dezembro do mesmo ano, a chargista passou por uma prostatectomia radical por laparoscopia, procedimento minimamente invasivo que remove completamente a próstata e tecidos acometidos. Atualmente, segue em monitoramento periódico e afirma que o risco de recidiva está controlado.
Diagnóstico e tratamento precoce fazem a diferença
Segundo o urologista Tiago Rosito, cirurgião-chefe do Programa de Identidade de Gênero do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (PROTIG), mulheres trans devem iniciar o rastreamento aos 45 anos quando há histórico familiar ou quando pertencem a grupos de risco, como pessoas negras. Para as demais, o acompanhamento pode começar aos 50 anos.
Rosito explica que a terapia hormonal feminina e o bloqueio de testosterona tendem a provocar atrofia da próstata, reduzindo a incidência de tumores e permitindo início de exames mais tarde. Mesmo após a cirurgia de afirmação sexual, a próstata permanece para evitar incontinência urinária, exigindo avaliação urológica periódica.
Barreiras no acesso à saúde
Questionada sobre a resistência de parte da população trans em buscar atendimento, Laerte apontou possíveis reflexos da “cultura de desatenção” masculina quanto à saúde, aliados ao desejo de ignorar características corporais associadas ao sexo designado ao nascer.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforça que a detecção precoce eleva as chances de cura e reduz complicações decorrentes de tratamentos mais agressivos.
Imagem: pessoal
Orientações de especialistas
• Iniciar o monitoramento aos 45 ou 50 anos, conforme fatores de risco;
• Realizar toque retal e dosagem de PSA conforme orientação médica;
• Manter acompanhamento mesmo após cirurgia de redesignação sexual;
• Procurar profissionais preparados para atender às especificidades da população trans.
Laerte conclui que o autocuidado é fundamental: “Isso não invalida minha identidade, apenas me lembra de que devo olhar para minha saúde”.
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