Mastectomia preventiva foi a escolha da psicóloga Jéssica Mars, hoje com 33 anos, que removeu as duas mamas aos 32 após confirmar a mutação no gene BRCA2 e vivenciar casos de câncer na família.
O procedimento, recomendado por especialistas depois que a mãe recebeu diagnóstico de câncer de mama e a avó morreu de câncer de pâncreas, fez parte de uma estratégia radical de prevenção definida pela paciente em conjunto com oncogeneticistas e mastologistas.
Mastectomia preventiva: brasileira remove mamas aos 32
Segundo a oncogeneticista Allyne Queiroz, do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o BRCA2 é um gene supressor de tumor responsável por corrigir falhas na divisão celular. Mutações nesse gene elevam significativamente o risco de tumores malignos, em especial cânceres de mama, ovário, próstata, pâncreas, peritônio e melanoma. Informações detalhadas sobre o BRCA2 podem ser encontradas no site do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, referência nacional em oncologia.
No caso de Jéssica, sete nódulos benignos espalhados pelos seios, somados ao histórico familiar e ao exame genético positivo para a mutação, levaram à indicação da retirada completa do tecido mamário. Os mamilos foram preservados, já que a probabilidade de surgimento de tumor nessa região é considerada muito baixa.
Cirurgia em duas etapas e reconstrução mamária
A intervenção ocorreu em duas fases. Na primeira, os cirurgiões retiraram as mamas e implantaram expansores, balões vazios inflados semanalmente para esticar a pele e acomodar futuras próteses. Meses depois, na segunda operação, os expansores foram substituídos por próteses definitivas.
Apesar de alertada de que uma reconstrução pós-mastectomia difere de uma cirurgia estética, a psicóloga enfrentou forte impacto emocional ao ver o resultado inicial. “Fiquei deprimida de verdade quando acordei da segunda cirurgia”, recorda. Exercícios específicos para relaxar a musculatura peitoral fizeram parte do processo de adaptação. Hoje, embora planeje um retoque cirúrgico no próximo ano, ela afirma não se arrepender: “Foi a melhor decisão que tomei para mim”.
Biópsia confirmou células atípicas
A convicção aumentou quando a biópsia do tecido removido revelou células atípicas, indicativo de que um câncer poderia se desenvolver. Para reduzir outros riscos associados à mutação BRCA2, Jéssica pretende retirar os ovários aos 45 anos, evitando a menopausa precoce e preservando a possibilidade de gestação até lá.
Especialistas ressaltam que a mastectomia preventiva não elimina totalmente o risco de câncer de mama, mas o reduz em até 95%. A decisão deve ser individualizada, envolvendo avaliação genética, aconselhamento psicológico e acompanhamento médico contínuo.
Imagem: pessoal
No Brasil, pacientes com histórico familiar semelhante podem buscar orientação em serviços de oncogenética do Sistema Único de Saúde (SUS) ou da rede privada, onde exames de sequenciamento de genes como o BRCA2 estão cada vez mais acessíveis.
Para quem considera o procedimento, é fundamental compreender as implicações físicas e emocionais, bem como as alternativas de vigilância intensiva com ressonância magnética e mamografia anual. A escolha entre acompanhar de perto ou optar pela cirurgia depende de fatores como idade, histórico clínico e preferência pessoal.
Em síntese, o caso de Jéssica Mars destaca como a identificação precoce de mutações genéticas aliada a decisões preventivas pode mudar o curso de doenças graves.
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