Documentário sobre câncer de mama vira TCC de designer

Documentário sobre câncer de mama vira TCC de designer: foi assim que a paranaense Helena Colino, 26, definiu o último ano do bacharelado em Design na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2024, quando recebeu o diagnóstico da doença que também atingira a mãe em 2023.

A jovem descobriu o tumor após notar um nódulo durante o autoexame e, diante de um resultado com “98% de chance de malignidade”, decidiu não trancar a faculdade. Em vez disso, transformou o próprio tratamento no filme “Não Há Mal que Dure Cem Anos”, produzido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e já visto mais de sete milhões de vezes no TikTok.

Documentário sobre câncer de mama vira TCC de designer

Helena relatou que o orientador alertou sobre a perda de controle inerente a um documentário, mas ela respondeu que o câncer já a colocava nessa posição. Câmera em mãos, registrou quimioterapia, consultas, crises de náusea e até o momento doloroso de raspar os cabelos, quinze dias após a primeira infusão.

Retrato em primeira pessoa da luta contra o câncer

O filme opta por um tom íntimo, composto por áudios enviados a amigos e conversas familiares. A designer explica que buscou fugir do sensacionalismo, mantendo uma narrativa positiva sem esconder a dureza do processo. “Quando sentia que ia vomitar, minha reação era ligar a câmera”, recorda.

As cores são elemento-chave da obra: cenas iniciais frias dão lugar a tons quentes na medida em que a imunidade melhora, os encontros com amigos voltam a acontecer e a vida retoma ritmo. Segundo Helena, esse contraste foi um dos aspectos que mais emocionou o público da rede social.

Desafios e receios durante as gravações

Durante a filmagem, a designer conheceu outras pacientes oncológicas, nem todas com desfechos favoráveis. “É como atravessar um campo de guerra”, descreve sobre o medo diário de metástases. O documentário termina com o fim da quimioterapia e a formatura em fevereiro, mas a remissão total exigirá sete anos de acompanhamento.

Planos pós-tratamento e novos projetos

Em férias médicas, Helena pretende inscrever “Não Há Mal que Dure Cem Anos” em festivais e buscar bolsa para estudar direção de documentários no exterior. A próxima fase inclui uma viagem de três semanas pelo Chile, Argentina e Peru, ao lado da mãe, inspiração para o título do filme.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, o câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres no Brasil, reforçando a relevância de iniciativas que amplifiquem histórias de enfrentamento e prevenção.

Foto: Reprodução/Instagram

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