Marjorie Estiano feminismo tornou-se uma combinação recorrente desde que a atriz mergulhou na história de Ângela Diniz para a série “Assassinada e Condenada”, da HBO Max. Para compor a personagem, Marjorie reuniu livros, filmes e documentários que explicam as múltiplas faces da luta feminina no Brasil e no mundo. Em entrevista à revista Marie Claire, ela detalhou as referências que moldaram seu estudo.
A intérprete, reconhecida pela preparação intensa em cada papel, já havia se dedicado ao SUS para viver a Dra. Carolina em “Sob Pressão”. Desta vez, o foco foi compreender o que significa ser mulher em diferentes contextos sociais, históricos e raciais, sobretudo diante do aumento de casos de violência de gênero.
Marjorie Estiano lista obras-chave para entender o feminismo
No repertório de Marjorie, “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, surge como ponto de partida. A obra clássica investiga a construção social do feminino no patriarcado e introduz a frase icônica “Não se nasce mulher, torna-se”, considerada pilar da fase moderna do movimento feminista.
Da teoria econômica ao cotidiano, Marjorie recorreu também a “Reengenharia do Tempo”, de Rosiska Darcy de Oliveira. Publicado em 2003, o livro analisa a inclusão das mulheres no mercado de trabalho na Europa e nos Estados Unidos e traça paralelos com o Brasil, antecipando debates sobre carga mental e trabalho de cuidado não remunerado.
Para integrar recorte racial à pesquisa, a atriz leu “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?”, de Djamila Ribeiro. A coletânea articula gênero e raça, aborda o silenciamento das experiências de mulheres negras e dialoga com autoras como Sueli Carneiro, Conceição Evaristo e bell hooks.
A violência sexual ganhou destaque com “Abuso” e “Agressão”, obras da jornalista Ana Paula Araújo baseadas em extensa apuração de dados e relatos. Segundo Marjorie, os títulos “explicam com maestria” as engrenagens que perpetuam crimes contra mulheres no país.
Intelectual essencial do pensamento afro-latino-americano, Lélia Gonzalez aparece na antologia “Primavera para as Rosas Negras”. Os textos, que vão da academia ao ativismo, mostraram à atriz como racismo e patriarcado são fenômenos indissociáveis.
No universo da autoficção, “O Acontecimento”, de Annie Ernaux, retrata o percurso da autora para realizar um aborto clandestino na França dos anos 1960. O relato visceral rendeu à escritora o Nobel de Literatura em 2022 e, para Marjorie, expôs as camadas de medo e desrespeito que cercam a autonomia feminina sobre o próprio corpo.
A filósofa Amia Srinivasan complementa a lista com “O Direito ao Sexo: Feminismo no Século XXI”. Em seis ensaios, a autora problematiza consentimento, política sexual e construção do desejo, relacionando tecnologia e avanços de gênero.
Entre as referências audiovisuais, a atriz destaca o curta “Resposta das Mulheres: Nosso Corpo, Nosso Sexo”, de Agnès Varda. Filmado em 1975, o cine-panfleto registra o debate em torno do Manifesto das 343 e da legalização do aborto na França, abordando diversidade de corpos e maternidade compulsória.
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O documentário “Justiça por Elas”, apresentado pela jurista Gabriela Mansur, destrincha as esferas jurídica, emocional e prática das diversas formas de violência contra a mulher, incluindo agressões domésticas, digitais e feminicídio.
Já a série “#OFuturoÉFeminino” contrasta a realidade de mulheres na Islândia, país líder em igualdade de gênero, e no Paquistão, um dos mais desiguais, antes de voltar os olhos para o cenário brasileiro.
Por fim, o Oscar de Melhor Documentário em Curta-Metragem de 2019 vai para “Absorvendo o Tabu”, de Rayka Zehtabchi, que acompanha mulheres indianas produzindo absorventes de baixo custo, iniciativa que combate estigmas menstruais e gera autonomia financeira.
Para Marjorie, a lista não serve apenas como complemento artístico, mas como ferramenta educativa, especialmente diante da escalada de feminicídios no país. “A conscientização não acaba no último episódio”, afirmou a atriz, reforçando que debates, leituras e filmes prolongam o impacto social da série.
Dados da ONU Mulheres indicam que a crise mundial de violência de gênero exige iniciativas de educação contínua. O caminho traçado pela artista, ao unir teoria acadêmica, literatura e cinema, demonstra como a cultura pode impulsionar mudanças estruturais.
Se a trajetória de Ângela Diniz expõe a brutalidade do feminicídio, as referências de Marjorie Estiano iluminam possibilidades de transformação ao dar voz a autoras e cineastas que repensam o lugar da mulher na sociedade.
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