Day Molina, estilista pernambucana com raízes Fulni-ô e Aymará, transforma a moda em plataforma de decolonialidade ao combinar sustentabilidade, artesanato indígena e responsabilidade social.
Fundadora da Nalimo, ela integra couro de pirarucu, látex de manejo sustentável, madeira de reflorestamento e cascalho de castanheira a técnicas de crochê e bordado manual, criando peças que conectam memória ancestral e visão de futuro.
Day Molina lidera moda decolonial com foco sustentável
Ao mapear habilidades transmitidas entre gerações de mulheres costureiras, a diretora criativa busca valorizar um ofício historicamente subestimado para mulheres racializadas. “A costura vai além da operação; é parte de uma cultura que precisa ser reconhecida”, afirma.
Em 2025, a estilista levou a Nalimo ao Runway Vision, vitrine internacional paralela à Semana de Moda de Paris. A coleção apresentada rendeu homenagem ao ativista Chico Mendes e destacou matérias-primas amazônicas. Segundo ela, o feito celebrou “uma voz global”, mas também evidenciou a carência de investimentos no talento emergente nacional.
Molina reforça que moda e responsabilidade socioambiental são inseparáveis. No ateliê da Nalimo, a ética se traduz em jornada de trabalho equilibrada, suporte psicológico, jurídico e social, além de um programa de formação destinado a jovens indígenas que iniciam carreira no setor.
Para a criadora, decolonialidade requer ação concreta, não apenas teoria. “É preciso quebrar estereótipos e enxergar pessoas fora do olhar colonial”, diz. A proposta vai ao encontro de metas globais de consumo e produção responsáveis previstas pela Organização das Nações Unidas.
O compromisso da marca inclui estrutura horizontal que rompe hierarquias tradicionais do mercado da moda. “Somos muitos, diversos, e cada processo criativo carrega uma forma singular de existir”, sublinha a designer.
Com sua abordagem, Day Molina demonstra que moda decolonial pode gerar impacto positivo nas comunidades envolvidas, ao mesmo tempo em que apresenta ao mercado internacional a riqueza de matérias-primas brasileiras manejadas de forma sustentável.
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Além de impulsionar a valorização do trabalho artesanal, a estilista fortalece cadeias produtivas locais e garante que a floresta permaneça em pé. “Para cada matéria-prima existir, há pessoas na linha de frente protegendo o território”, ressalta.
No futuro próximo, a diretora criativa pretende ampliar o alcance do programa de formação da Nalimo e atrair parceiros dispostos a investir em inovação sustentável e inclusão social.
O percurso de Molina aponta caminhos para um setor mais justo, diverso e consciente, onde tradição e tecnologia se complementam em favor do planeta e de suas comunidades.
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Foto: Divulgação


