Paula Kim estreia marca na moda masculina de Paris e crava seu nome como a primeira brasileira a integrar o calendário oficial da semana de moda masculina da capital francesa. A apresentação da grife P. Andrade, ocorrida em junho deste ano, marca um capítulo inédito para a indústria nacional e eleva o diálogo sobre inovação e sustentabilidade no vestuário masculino.
Paulista de ascendência coreana, Kim formou-se em Moda pela conceituada Central Saint Martins, em Londres, escola que lapidou talentos como John Galliano. A passagem pelo cenário internacional incluiu estágios e contratos em casas de peso — Diane von Furstenberg, Burberry, Dior e Zara — experiência que refinou seu olhar para processos globais e abasteceu o repertório técnico que hoje sustenta a P. Andrade, criada ao lado do marido e sócio, Pedro Andrade.
Paula Kim estreia marca na moda masculina de Paris
A conquista em Paris aconteceu em meio a um momento de intensa emoção pessoal. Pouco antes do desfile, Kim deu à luz Moon, seu segundo filho — ela e Pedro já são pais de Astro. Em pleno puerpério, a diretora criativa optou por abraçar a oportunidade, canalizando a vulnerabilidade da maternidade em uma coleção descrita por ela como “criação intensa e emocional”. “Foi uma experiência hardcore e uma grande responsabilidade”, resume.
No ateliê localizado em São Paulo, 90 % da equipe é feminina. O ambiente colaborativo estimula pesquisas que combinam biotecnologia, novos materiais e práticas de produção com menor impacto ambiental, alinhando a P. Andrade às discussões globais sobre moda regenerativa. Segundo o calendário oficial da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, a presença brasileira reforça o movimento de abertura da semana dedicada tradicionalmente às grandes maisons europeias.
Kim também dedica parte da agenda à formação de novos talentos. Em 2020, fundou a M.I.L., escola voltada à criatividade e economia regenerativa, que oferece cursos e mentorias a jovens profissionais. A iniciativa reflete sua convicção de que “compartilhar conhecimento é um dos caminhos para transformar a indústria de dentro para fora”.
Com presença consolidada na Ásia e na Europa, a P. Andrade persegue o desafio de equilibrar experimentação e apelo comercial. Estratégias recentes incluem colaborações com marcas reconhecidas, como Oakley, Swarovski e Asics, capazes de ampliar a comunidade engajada em torno da etiqueta e de ir além das passarelas, posicionando-a como plataforma de estilo de vida.
A diretora criativa destaca que cada mercado demanda ajustes específicos de modelagem, matéria-prima e comunicação. “Precisamos ser democráticos sem abrir mão da essência experimental”, afirma. Essa diretriz orienta o desenvolvimento de coleções cápsula voltadas a diferentes países, sem perder o DNA que mistura alfaiataria, tecnologia têxtil e referências à cultura brasileira.
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De volta ao Brasil após o debut parisiense, Kim já planeja a próxima temporada. Entre as prioridades estão expandir a linha de acessórios, intensificar pesquisas em fibras biodegradáveis e reforçar ações de upcycling — práticas que dialogam com consumidores cada vez mais atentos à transparência da cadeia produtiva.
A trajetória de Paula Kim ilustra como visão global, colaboração e propósito podem impulsionar a moda nacional a novos patamares. Sua liderança à frente da P. Andrade sinaliza que o Brasil tem potencial para ocupar espaços estratégicos nos maiores palcos da indústria, desde que invista em inovação e sustentabilidade contínuas.
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