Ozempic, e outros análogos do GLP-1 como Wegovy e Mounjaro, exigem atenção especial à mesa nas confraternizações de dezembro. Como esses fármacos reduzem o esvaziamento gástrico e alteram fome e saciedade, exageros podem resultar em náuseas, vômitos, desidratação e até sobrecarga pancreática.
A nutróloga Ligiê Helena Moreira Brito, da Comissão Científica da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), afirma que, nesta época do ano, seus pacientes se dividem entre os que planejam as ceias e os que acreditam poder comer “sem consequências” — expectativa que os medicamentos não sustentam.
Ozempic: o que comer e evitar nas festas de fim de ano
Segundo Brito, quantidade conta tanto quanto qualidade. Comer porções muito grandes, ou pratos com excesso de gordura, sobre um estômago já lentificado aumenta o risco de mal-estar. A regra número um é chegar à festa sem fome extrema: “Uma pré-refeição com proteína e fibra, como shake de whey com aveia ou ovos mexidos com salada, evita o impulso da fome hedônica”, orienta.
Alimentos mais problemáticos
A digestão dos usuários de Ozempic demora da boca ao intestino. Por isso, itens de alta densidade calórica — frituras, rabanada, panetone trufado, maionese, carnes gordas e farofas carregadas na manteiga — tendem a causar distensão abdominal. A nutricionista Fernanda Neves Squadrani, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, reforça o alerta: “Quanto menor a gordura do prato, melhor será a tolerância”.
Ela lembra, porém, que não é necessário abolir delícias natalinas: “Demonizar alimentos não ajuda. O segredo é uma porção pequena e mastigação lenta. Descanse o talher entre as garfadas”. Outra dica é evitar deitar logo após a ceia; um intervalo mínimo de duas horas antes de dormir reduz refluxo e desconforto.
Montando o prato ideal
A estratégia começa pela proteína: peru, chester ou frango sem pele, peixes assados como bacalhau ou pequenos pedaços de carnes magras. “Coma a carne primeiro para garantir saciedade e preservação da massa muscular”, recomenda Brito. Depois vêm acompanhamentos moderados — arroz, saladas, farofa leve ou preparações típicas.
A sobremesa está liberada, mas em versão tradicional e em pequena quantidade. “Se a pessoa gosta de pudim ou rabanada, melhor comer um pedaço real do que a versão fit inteira”, resume a médica.
Álcool: doses, escolhas e cuidados
O álcool é absorvido mais rapidamente por quem usa canetas emagrecedoras, potencializando embriaguez. A orientação é limitar-se a uma dose, alternando goles de bebida e água. Cerveja e espumantes, por serem gasosos e consumidos em volume, elevam o risco de desconforto; vinho ou gin tendem a ser melhor tolerados. Drinques adocicados, à base de leite condensado ou açúcar, também podem gerar indigestão.
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Diretrizes recém-publicadas pela Organização Mundial da Saúde lembram que gestantes não devem usar esses medicamentos e reforçam o cuidado com álcool durante o tratamento.
Salgadinhos e “efeito manada”
Em happy hours, frituras e petiscos calóricos dominam o cardápio. Nesses casos, vale priorizar opções menos gordurosas, como cortes frios ou espetinhos de carne, e manter hidratação constante. Squadrani alerta para o comportamento de imitação: “Quando alguém ao lado come muito, tendemos a repetir o padrão sem perceber”.
Se o deslize acontecer, o fundamental é retomar a alimentação habitual no dia seguinte, sem jejum extremo ou compensações radicais.
Dicas expressas para sobreviver às ceias
- Faça uma refeição proteica antes de sair de casa.
- Comece o prato pela carne magra.
- Mastigue devagar e apoie os talheres entre mordidas.
- Evite bebidas gasosas; escolha vinho ou gin em pequena dose.
- Aguarde duas horas entre a ceia e a hora de dormir.
- Volte à rotina normal no dia seguinte, sem culpa.
Seguindo essas recomendações simples, usuários de Ozempic, Wegovy ou Mounjaro podem aproveitar as festas sem transformar o momento de celebração em mal-estar prolongado.
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