Shadia Salamah transformou o próprio hijab em símbolo de informação e luta contra estereótipos, conquistando quase 1 milhão de seguidores ao compartilhar a rotina de uma brasileira muçulmana nascida em Santa Catarina.
Filha de pais palestinos que se estabeleceram no Brasil após diásporas sucessivas, a jovem de 22 anos cresceu em ambiente bicultural: aulas regulares, lições de árabe e religião, comida típica e uma família numerosa que manteve laços firmes com o Oriente Médio.
Shadia Salamah: véu e redes sociais contra o preconceito
A relação com o véu começou aos nove anos, quando Shadia decidiu experimentar o lenço que via a mãe vestir diariamente. Aos 16, passou a usar o hijab em definitivo e percebeu a mudança imediata no olhar alheio: “o véu te apresenta antes mesmo de você falar”, relembra.
Na universidade, onde cursa o último ano de Odontologia na Unisul, a identidade religiosa passou a preceder o próprio nome. Essa exposição também trouxe episódios de preconceito, como o vestibular em que foi obrigada a retirar o hijab em sala separada ou o ataque em um supermercado, quando um homem cuspiu nela enquanto a encarava.
Apesar dos incidentes, Shadia frisa que as ocorrências foram pontuais e destaca a receptividade brasileira à diversidade. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas, a aproximação intercultural reduz casos de islamofobia, dado que reforça a relevância do conteúdo produzido pela catarinense.
O TikTok virou vitrine para essa missão durante a pandemia. Um vídeo despretensioso ao lado da irmã disparou visualizações e, em pouco tempo, marcas como MAC e Disney fecharam parcerias com a criadora. A audiência curiosa rendeu quase 1 milhão de seguidores interessados em compreender costumes muçulmanos cotidianos, da escolha do véu aos rituais religiosos.
Imagem: Reprodução
Com a visibilidade também vieram ataques virtuais. Uma deputada catarinense chegou a acusá-la de recrutar terroristas, narrativa que, segundo Shadia, extrapola o online e incentiva ameaças nas ruas. Mesmo assim, ela afirma que continuará produzindo conteúdo para desmistificar o islamismo enquanto houver público disposto a aprender.
Shadia Salamah planeja concluir a graduação, ampliar a criação digital e fortalecer pontes culturais: “enquanto minha voz somar no combate ao preconceito, sigo em frente”.
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