A goiana Raquel, 34 anos, retomou os saltos de paraquedas um ano e meio depois de perder os movimentos dos quatro membros durante uma cirurgia de hérnia de disco. O retorno ao esporte só foi possível graças ao apoio do marido, também paraquedista, que se formou instrutor para acompanhá-la nos voos duplos.
Trajetória no esporte e relação amorosa
O paraquedismo entrou na vida de Raquel quando ela tinha 19 anos, durante um salto duplo que despertou paixão imediata pela modalidade. Ao longo dos anos, realizou 65 saltos solo, considerando-se “nada boa em esportes na escola”, mas totalmente adaptada à prática que exige controle emocional e consciência corporal.
Foi no avião de um salto em Anápolis (GO) que Raquel conheceu o então futuro marido, participante de uma competição. O romance evoluiu rapidamente: depois de conversas pelas redes sociais, vieram namoro, noivado no ar e planos de casamento.
Complicação cirúrgica inesperada
Cinco anos atrás, prestes a se mudar de cidade e organizar a cerimônia de casamento, Raquel optou por realizar uma cirurgia considerada minimamente invasiva para tratar uma hérnia de disco. O procedimento, feito na presença da família, resultou em um quadro de tetraplegia logo após a anestesia.
Sem movimentos nos braços e pernas, ela passou por internação em UTI e enfrentou risco de vida. Ainda nesse período, chegou a sugerir que o noivo desistisse da relação, mas ouviu como resposta: “Nunca mais repita isso”. O casal permanece junto há oito anos.
Reabilitação intensiva durante a pandemia
Os dois primeiros anos após a lesão foram dedicados à reabilitação. Em meio às restrições da pandemia de Covid-19, fisioterapeutas não conseguiam visitar a paciente com frequência. O marido assumiu parte dos exercícios, liderando sessões de quatro a seis horas diárias em casa. O esforço garantiu recuperação parcial de mobilidade, embora Raquel ainda conviva com dores constantes.
Retorno aos céus
Com liberação médica, Raquel voltou a subir em um avião para saltar de paraquedas um ano e meio após a cirurgia. O momento contou com familiares e amigos do esporte. Ela descreve não ter sentido o tradicional “frio na barriga”, apenas gratidão.
Imagem: Reprodução
Desde então, realizou cerca de dez saltos duplos. Para tornar a experiência viável e segura, o marido concluiu o curso de instrutor de paraquedismo, permitindo que ambos voem juntos em configuração adaptada.
Novo propósito nas redes
O vídeo do primeiro salto após a lesão viralizou, trazendo milhares de mensagens de apoio. Formada em psicologia positiva e interessada em neurociência, Raquel passou a usar as redes sociais para compartilhar reflexões sobre resiliência, saúde mental e superação.
Ela reforça que não teria escolhido viver a experiência da tetraplegia, mas afirma ter aprendido a valorizar o presente e a importância de uma rede de apoio forte — composta por família, amigos e fé. A principal mensagem que transmite é a de que as pessoas não controlam tudo o que acontece, mas podem escolher como reagir às adversidades.
“Nem sempre conseguimos viver nossos sonhos do jeito que planejamos, mas sempre dá para adaptá-los”, resume a paraquedista, que continua em tratamento fisioterápico e pretende inspirar mais pessoas com seus futuros saltos.
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