Pílula do dia seguinte: eficácia, uso correto e mitos

Pílula do dia seguinte: eficácia, uso correto e mitos é a palavra-chave que abre esta reportagem sobre o método de contracepção de emergência mais procurado em farmácias após festas e feriados.

Um levantamento publicado no periódico BMJ, que avaliou dados de farmácias dos Estados Unidos entre 2016 e 2022, mostrou aumento de cerca de 10% nas vendas da pílula de emergência no primeiro dia do ano. Especialistas brasileiros acreditam que o padrão se repete no País, sobretudo em datas como Réveillon e Carnaval.

Pílula do dia seguinte: eficácia, uso correto e mitos

Apesar do nome popular, a chamada pílula do dia seguinte é, na prática, uma anticoncepção de emergência. O comprimido contém apenas progesterona e deve ser ingerido preferencialmente até 72 horas após a relação sexual sem proteção, podendo chegar a cinco dias, com eficácia progressivamente menor. O hormônio age antes de a gravidez se estabelecer, alterando a motilidade das tubas uterinas e dificultando o encontro entre óvulo e espermatozoide — portanto, não provoca aborto.

No Brasil, todos os produtos à venda têm a mesma composição e diferem apenas na apresentação (dose única ou dois comprimidos). A ginecologista Jaqueline Neves Lubianca, da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo, destaca que a procura aumenta em períodos festivos justamente porque muitas mulheres deixam de usar métodos de uso contínuo nessas ocasiões.

Um mito persistente é o de que o medicamento seria uma “bomba hormonal” que comprometeria a fertilidade. “Não há risco adicional nem prejuízo à fertilidade, mesmo com uso repetido”, afirma Lubianca. A especialista ressalta, porém, que o consumo frequente indica exposição desnecessária ao risco de gravidez e reforça a necessidade de um método contraceptivo regular mais eficaz.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a eficácia da pílula de emergência à base de levonorgestrel varia de 75% a 89%, dependendo do intervalo entre o ato sexual e a ingestão. O índice é inferior ao de métodos contínuos, como DIU ou pílula combinada, que alcançam até 99%.

Efeitos colaterais são raros. Podem ocorrer leve inchaço ou retenção de líquidos; sintomas como náuseas e dor de cabeça tornaram-se incomuns após a retirada do estrogênio das formulações. A única contraindicação relativa é doença hepática grave, ainda assim geralmente sem impedir o uso ocasional.

O medicamento pode atrasar a menstruação ao postergar a ovulação. Caso o ciclo atrase, recomenda-se realizar teste de gravidez. Se houver vômito até três horas após a ingestão, é preciso repetir a dose, pois a absorção pode ter sido prejudicada.

Mulheres que já utilizam anticoncepcional oral podem retomar o comprimido habitual no dia seguinte à pílula de emergência. Outra alternativa de emergência é o DIU de cobre, que pode ser inserido em até cinco dias depois da relação desprotegida, oferecendo proteção de longa duração.

Em síntese, a pílula do dia seguinte continua sendo recurso seguro e acessível para reduzir o risco de gestação indesejada, mas não substitui métodos contínuos. Para aprofundar seu cuidado íntimo, confira nossas dicas de saúde feminina em Saúde e Beleza e continue acompanhando nossas publicações.

Crédito da imagem: Reprodução

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