Incêndio em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, mudou para sempre a vida da manicure Juliana Cerqueira em 13 de outubro de 2016. As chamas destruíram a casa da família, tiraram a vida das meninas Jamilly Pérola, de 6 anos, e Jasmyn Victória, de 4, e deixaram graves sequelas em João Victor, então com 5 anos.
Na noite do acidente, a região estava sem energia. Juliana havia saído do salão onde trabalha e, sem luz, decidiu se hospedar na casa da sogra para tomar banho. Deixou os três filhos sob os cuidados da irmã, que morava no andar inferior. Uma vela acesa sobre a televisão de tubo, colocada em cima da sapateira do quarto, deu início ao fogo enquanto a irmã amamentava as próprias filhas e adormeceu.
Incêndio em Taboão da Serra: mãe perde duas filhas
Ao chegar e ver a casa tomada pelas chamas, Juliana arrombou o portão e conseguiu retirar a caçula nos braços. Com ajuda de vizinhos, resgatou os demais ocupantes e encaminhou todos aos hospitais. Dois dias depois, recebeu a notícia da morte de Jasmyn Victória. Enquanto organizava o velório no IML, foi chamada ao hospital onde Jamilly Pérola estava internada; os aparelhos seriam desligados.
João Victor apresentou queimaduras em 27% do corpo, perdeu a mão direita, o nariz, parte da orelha e um dedo do pé. Seis meses em coma, 18 cirurgias e inúmeras enxertias fizeram parte do processo de recuperação. Os médicos chegaram a prever estado vegetativo, hipótese que não se confirmou. “Meu filho é um milagre”, resume a mãe.
Abalada, Juliana enfrentou luto duplo sem tempo para processar as perdas. O medo de novos acidentes limitou a rotina durante um ano; o cheiro de fio queimado ainda a faz reviver o trauma. Em 2018, iniciou terapia para liberar o menino à escola. Percebeu, então, que o preconceito vinha mais dela do que dos colegas: “Onde o João chega, faz amigos”, relata.
Um vídeo publicado nas redes sociais, no qual a dupla aparece abraçada, viralizou. O funkeiro MC DiMagrinho se ofereceu para lançar uma música destinando os lucros à reconstrução da casa. Embora apoios tenham surgido, comentários ofensivos continuam. “Digo ao João que as cicatrizes contam sua história”, afirma.
Imagem: pessoal
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, velas e curto-circuitos estão entre as principais causas de incêndios domésticos, reforçando a necessidade de atenção redobrada durante quedas de energia.
Atualmente, João Victor passa por duas sessões semanais de psicoterapia e acompanhamento de cirurgia plástica. Para Juliana, o filho é fonte de motivação: “Quando penso em desistir, lembro dos seis meses ao lado dele no hospital e sigo em frente”.
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Foto: Arquivo pessoal


