Câncer de pele é um risco que, mesmo para especialistas, pode passar despercebido. A dermatologista Renata Trefiglio Eid de Araújo Pereira, 39 anos, de São Paulo, levou cerca de 12 meses para confirmar um carcinoma basocelular no próprio rosto, apesar de sua experiência clínica e do uso regular de protetor solar.
A médica notou, em setembro de 2024, uma pequena elevação brilhante próxima ao nariz. O sinal cresceu lentamente e chegou a sangrar após um banho, mas ela atribuiu o episódio a uma simples fibrose e aplicou creme cicatrizante. A rotina entre consultório e a criação dos filhos, de 1 e 7 anos, também contribuiu para o adiamento do exame definitivo.
Câncer de pele: dermatologista leva um ano para diagnóstico
Somente em setembro de 2025, diante de novo sangramento, Pereira procurou uma colega para avaliar a lesão com dermatoscópio. O material foi removido e encaminhado à biópsia, que confirmou o carcinoma basocelular, tipo mais comum e menos agressivo de câncer de pele. A retirada foi completa, com margem de segurança, dispensando ampliação cirúrgica.
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a profissional reconhece que negligenciou a rotina de dermatoscopia anual que recomenda aos pacientes. “Fiquei mais de dois anos sem fazer o exame”, admite. Ela também possui histórico familiar do mesmo tumor pelo lado materno e relata queimaduras solares na infância, fatores que elevaram seu risco.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a exposição intensa ao sol na infância aumenta a probabilidade de desenvolvimento de carcinoma basocelular na vida adulta. Embora o diagnóstico costume ocorrer após os 40 anos, casos em faixas etárias mais jovens têm sido registrados com maior frequência.
Ao relatar a experiência nas redes sociais, Pereira recebeu críticas, mas também estimulou seguidores a examinarem a própria pele. “Teve quem dissesse: ‘Se ela não percebeu nela, imagine em mim’. Por outro lado, muita gente marcou consulta após ver o vídeo”, comenta.
Imagem: pessoal
A dermatologista reforça a importância de observar qualquer alteração persistente: lesões novas, feridas que não cicatrizam, manchas que mudam de cor ou formato, pintas assimétricas ou multicoloridas. “Mesmo usando protetor agora, é o sol do passado que pode trazer problemas. E, na correria, a gente deixa passar. Pode acontecer com qualquer um”, alerta.
Para manter a saúde cutânea em dia, especialistas recomendam visitas anuais ao dermatologista, uso diário de filtro solar com FPS adequado, reaplicação a cada duas horas e proteção física, como chapéus e roupas com bloqueio UV.
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Foto: Arquivo pessoal


