Imposto do Pecado é o nome dado ao projeto do pré-candidato ao governo da Flórida, James Fishback, que prevê taxar em 50% a renda de criadores do OnlyFans. A medida, anunciada como forma de desestimular a produção e o consumo de conteúdo adulto, provocou reação imediata entre produtoras e entidades do setor nos Estados Unidos e no Brasil.
Anya Lacey, conhecida como “esposa troféu do OnlyFans”, classificou a proposta como “ridícula” e comparou o plano a uma penalidade moral seletiva. Já Sophie Rain, apontada como a criadora mais lucrativa da plataforma, lembrou que já paga 37% em impostos e defendeu tributação equivalente para grandes corporações.
Imposto do Pecado: proposta de 50% ao OnlyFans gera reação
Fishback explicou que o Imposto do Pecado teria o objetivo de “proteger jovens cristãos da luxúria” e direcionaria a arrecadação, estimada em US$ 200 milhões, a projetos de educação, saúde mental e apoio a gestantes vulneráveis. Em entrevista ao podcast conservador NXR Studios, veiculada em 12 de janeiro, o político disse não querer “mulheres vendendo imagens de seus corpos na internet”.
Especialistas do mercado adulto veem o plano como um retrocesso. Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto (ABIPEA), alerta que a taxação ameaça a independência financeira das criadoras e pode empurrá-las para a informalidade, ambientes menos seguros e sem garantias trabalhistas.
Dados confirmam a forte demanda por esse tipo de conteúdo nos EUA. Segundo o relatório Year in Review do Pornhub, o país lidera o acesso mundial ao site. Já a plataforma OnlyGuider indica que, em 2025, usuários norte-americanos devem gastar mais de US$ 2 bilhões em assinaturas do OnlyFans.
Em entrevista ao New York Post, Lacey ironizou a coerência da proposta: “Se álcool, maconha e clubes de strip também forem taxados nesses níveis, talvez faça sentido; caso contrário, é simplesmente punição moral”. Algumas vozes conservadoras no X (ex-Twitter) igualmente discordaram do candidato, afirmando que a cobrança pode, na prática, incentivar a continuidade da pornografia, já que o Estado passaria a lucrar com o setor.
Sophie Rain reforçou que muitos criadores dependem da plataforma como principal fonte de sustento. “Eles estão lá para sustentar suas famílias. Cobrar 50% é penalizar quem já vive sob preconceito”, disse em vídeo divulgado em sua rede social.
Imagem: as criadoras de cteúdo adulto Anya Lacey e Sophie Rain Reprodução
Para Aguiar, o estigma sobre o trabalho sexual tende a aumentar se a proposta avançar. “Não é proteção, é preconceito institucionalizado. O recado é claro: essas mulheres não são vistas como profissionais, mas como um problema moral”, ressaltou.
A discussão também expõe contradições sobre a efetividade de punições fiscais no combate à pornografia. Mesmo opositores da indústria admitem que, sem proibição total, a taxação cria espaço para novas rotas de consumo, durante as quais governo e plataformas continuariam arrecadando.
Sem consenso, a medida ainda precisa superar etapas no legislativo estadual da Flórida. Enquanto isso, criadoras e entidades seguem mobilizadas para barrar o avanço do Imposto do Pecado, temendo impactos financeiros imediatos e reforço de estigmas que cercam o trabalho sexual online.
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