Cidinha da Silva lança livro com 81 lições do método Sueli Carneiro e anuncia próximas memórias

A escritora Cidinha da Silva apresentou ao público “Só Bato em Cachorro Grande, do Meu Tamanho ou Maior: 81 Lições do Método Sueli Carneiro”, publicado pela Rosa dos Tempos, com 208 páginas e preço de capa de R$ 59,90. O volume reúne reflexões fundamentadas na trajetória da filósofa e ativista Sueli Carneiro, organizadas em forma de lições que discutem estratégias de resistência e afirmação da população negra.

Autora de contos, crônicas, poesia e teatro, Cidinha foi presidente do Geledés – Instituto da Mulher Negra e criou o Instituto Kuanza. Durante entrevista para coluna literária, ela adiantou que trabalha em duas obras de memórias: “Para Nós, Nunca Houve Tempo Bom, Não Pode Haver Tempo Ruim”, que sairá pela Editora Patuá, e “Quando Borboletas Furiosas se Tornam Mulheres Negras: Nós no Mercado Editorial”, prevista pela Relicário.

Processo criativo e diálogo com leitores

Questionada sobre os objetivos da escrita, Cidinha afirmou que produz para apresentar as próprias respostas, mesmo sabendo que elas podem suscitar novas perguntas nos leitores. Se pudesse ouvir críticas de nomes célebres, escolheria Lima Barreto, do cânone brasileiro, e a contemporânea Ana Maria Gonçalves.

Retrato do mercado editorial

A autora vê o romance brasileiro atual dominado por escritores brancos de classe média ou alta, concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná, frequentemente premiados e focados em temas urbanos semelhantes à sua realidade. Ao mesmo tempo, ela destaca uma nova geração que “coloca a cara no sol”, citando Lília Guerra, Luciany Aparecida, Tatiana Nascimento, Andressa Marques, Eliane Marques, Taiasmin Ohnmacht, José Falero e Geovani Martins.

Nesse panorama, Tatiana Nascimento, na avaliação de Cidinha, permanece subestimada. Já sobre autores supervalorizados, ela prefere não nomear, mas descreve um perfil: escritor branco, citadino, de círculo social restrito, que lamenta os espaços conquistados por vozes classificadas como identitárias, que agora disputam “quinhões do bolo” em vez de “aceitar migalhas”.

Personagens, universos e recomendações

Se seus personagens ganhassem vida, Cidinha acredita que se revoltariam contra a criadora, pois todo ato de criação possui certa dose de autoridade. Os pais literários que escolheria são Kadja e Tidjane, do malês Amadou Hampâté Bâ, e o cenário favorito para viver por um ano seria o Norte da África, ao lado do povo tuaregue.

Entre as artes que gostaria de ver transformadas em literatura, cita “Dança dos Meninos”, de Milton Nascimento. Já para o presidente da República, sugere a leitura de “Parem de Nos Matar!” e do recém-lançado “Só Bato em Cachorro Grande…”, julgando que o primeiro oferece conhecimento indispensável e o segundo poderia, segundo ela, divertir o mandatário.

Violência racial e papel da literatura

Discussões sobre violência estatal também permeiam sua fala. Cidinha menciona o caso de um homem negro baleado na cabeça ao correr para alcançar um ônibus, exemplificando como fatos recentes soam “fantásticos” pela brutalidade. Para a escritora, a literatura serve para criar mundos quando escreve e para conhecer mundos quando lê.

Ao pensar no próprio epílogo, resume: “Viveu para/pelo trabalho, o nome possível do amor”.

“Só Bato em Cachorro Grande, do Meu Tamanho ou Maior: 81 Lições do Método Sueli Carneiro” já está disponível em livrarias físicas e virtuais.

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