Figurino Marty Supreme revela ambição da Nova York de 1952 inaugura o novo longa de Josh Safdie com um olhar que vai além da estética: as roupas funcionam como fio narrativo para expor desejo, classe social e reinvenção pessoal.
Ambientado no coração efervescente de 1952, o filme acompanha Marty Mauser, vendedor de sapatos do Lower East Side interpretado por Timothée Chalamet, que decide viver como se já fosse o maior jogador de tênis de mesa do mundo. A transformação interna do personagem se espelha diretamente nas peças criadas pela figurinista Miyako Bellizzi.
Figurino Marty Supreme revela ambição da Nova York de 1952
Logo na primeira sequência, um terno cinza ainda protegido por plástico sintetiza a mitologia de Marty: é o passaporte que ele acredita precisar para conquistar um futuro grandioso. Alfaiataria com ombros largos, calças amplas e camisas estruturadas tornam-se armadura e ferramenta de persuasão num enredo em que imagem é estratégia.
Bellizzi também faz da moda um mapa de classes. No Lower East Side, tecidos já gastos e tons dessaturados sugerem peças reaproveitadas, enquanto o Upper East Side surge polido e recém-saído da vitrine, marcado pela personagem Kay Stone (Gwyneth Paltrow) e suas referências a Balenciaga e Dior. O contraste traduz o abismo social de uma Nova York pós-guerra, onde aquilo que se veste determina até onde se pode chegar.
Kay Stone encarna o ideal de elegância que Marty deseja alcançar. Seus looks silenciosos, milimetricamente calculados, contrastam com a energia improvisada do protagonista. Diferente de Marty, que veste ambição, Kay já pertence ao universo que outros personagens só conseguem admirar à distância.
No extremo oposto está Rachel Mizler (Odessa A’zion). Suéteres macios, vestidos simples e repetição de peças sinalizam funcionalidade antes de tudo. Inserida no mesmo Lower East Side de Marty, Rachel escolhe roupas que permitam circular, trabalhar e resistir, representando um presente guiado pela sobrevivência, não pela performance.
Imagem: Divulgação
O predomínio da alfaiataria reforça não apenas o código de poder do século XX, mas também dialoga com o retorno recente dos ternos amplos, tendência apontada por publicações como a revista Vogue. Para Safdie, a opção por roupas com aparência vivida evita a caricatura: o figurino deve parecer parte orgânica da trama, não fantasia de época.
Ao final, o guarda-roupa de Marty Supreme evidencia como vestuário pode contar histórias sobre sonhos, hierarquias e o preço da ascensão. Para quem acompanha a moda como expressão cultural, o filme reforça que nenhuma costura é acidental.
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