Soroterapia na menopausa levou a empresária paulista Beatriz Moura Leite, 50 anos, a um quadro de hiponatremia grave, com risco de edema cerebral e coma, após cinco aplicações de um coquetel vitamínico sem respaldo científico.
Em busca de alívio para os primeiros sintomas da menopausa, Beatriz contratou um pacote de seis meses, pagando R$ 42 mil por infusões semanais prometidas como “soro da beleza”. O tratamento foi indicado por uma médica que se apresentava como endocrinologista e nutróloga, títulos que a paciente descobriria depois não serem verdadeiros.
Soroterapia na menopausa: empresária sofre risco de coma
Até a terceira aplicação, a empresária relatou leve disposição extra. Na quarta sessão já sentiu calafrios; na quinta, feita numa sexta-feira de outubro de 2025, acordou de madrugada com taquicardia, contrações musculares involuntárias e a “sensação de morte”. Mesmo orientada pela médica a não procurar ajuda, dirigiu-se a um pronto-socorro em São Paulo.
No hospital, exames detectaram concentração de sódio perigosamente baixa. A equipe explicou que a hiponatremia, possivelmente desencadeada pela infusão intravenosa de substâncias, poderia evoluir para coma em poucas horas. Beatriz foi internada, recebendo soro com baixa concentração de sódio a uma gota por minuto, permanecendo sete dias hospitalizada e perdendo nove quilos de massa corporal.
Falta de respaldo e riscos ocultos
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Nutrologia já se posicionam contra o uso de soroterapia para fins estéticos ou de bem-estar. Segundo a endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da SBEM, protocolos intravenosos devem ser restritos a condições médicas específicas — como pacientes bariátricos ou com doenças inflamatórias intestinais — e realizados em ambiente equipado com equipe treinada para emergências.
Quando substâncias chegam diretamente à corrente sanguínea, os efeitos benéficos e adversos são potencializados. Distúrbios hidroeletrolíticos, alterações cardíacas e danos renais estão entre as complicações possíveis. “Misturas complexas de vitaminas não têm estudos que comprovem segurança ou eficácia”, reforça a especialista.
Sequelas e busca por responsabilização
Após cerca de 60 dias de tratamento ambulatorial, Beatriz recebeu alta definitiva, mas ainda enfrenta lentidão motora e dano visual que a impede de dirigir à noite. A médica responsável bloqueou a paciente nas redes sociais; prontuários só foram liberados mediante solicitação formal do hospital. A empresária avalia medidas judiciais.
Imagem: pessoal
Como distinguir terapias seguras
Especialistas orientam verificar a formação do profissional, exigir prescrição detalhada e confirmar registro no Conselho Regional de Medicina. Procedimentos intravenosos seguros ocorrem em hospitais ou clínicas com carrinho de parada cardíaca, monitoramento contínuo e medicamentos antagonistas disponíveis.
Para sintomas da menopausa, terapias de reposição hormonal individualizada, mudanças de estilo de vida e acompanhamento médico regular continuam sendo as recomendações respaldadas por evidências.
Foto: Arquivo pessoal
Este caso evidencia que, antes de aderir a soluções rápidas, vale consultar fontes confiáveis e buscar segundas opiniões. Para saber mais sobre cuidados de saúde e bem-estar, visite nossa editoria Saúde e Beleza e continue informado.


