Canetas emagrecedoras ganharam espaço no consultório e nas conversas de quem busca reduzir peso, mas médicos reforçam que o tratamento exige avaliação criteriosa e acompanhamento contínuo. Antes de aderir a Ozempic, Mounjaro, Wegovy, semaglutida ou tirzepatida, especialistas recomendam levar dúvidas específicas ao profissional de saúde.
A orientação é fundamental porque a obesidade é considerada doença crônica, demanda estratégias de longo prazo e envolve riscos caso a medicação seja usada de forma inadequada. Os questionamentos a seguir ajudam a definir se o uso é indicado, quais metas perseguir e como lidar com efeitos adversos.
Canetas emagrecedoras: perguntas essenciais antes do uso
Quem realmente tem indicação
As bulas autorizam as canetas emagrecedoras para pacientes com índice de massa corporal (IMC) a partir de 30 ou acima de 27 quando há comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão ou esteatose hepática. Contudo, a análise clínica vai além do número na balança. Histórico de ganho de peso, genética, compulsão alimentar e composição corporal são critérios adicionais. Em situações específicas, alguém com IMC 26 e glicemia de jejum alterada, por exemplo, pode receber prescrição.
Benefícios esperados do tratamento
O principal ganho é a redução de peso, predominantemente de gordura corporal. Estudos também confirmam melhora da glicemia, colesterol e pressão arterial, além de menor acúmulo de gordura no fígado. De forma indireta, há relatos de aumento da disposição para atividade física, elevação da autoestima e, no caso da tirzepatida, atenuação da apneia do sono. A manutenção desses resultados está ligada a hábitos sustentáveis de alimentação e exercícios.
Efeitos colaterais comuns e sinais de alerta
Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos aparecem sobretudo no início do tratamento. Cefaleia associada à desidratação também é frequente. Ajustar a alimentação, manter hidratação adequada e escalar a dose gradualmente costuma aliviar os sintomas. Já vômitos persistentes, dor abdominal contínua, sinais de desidratação, icterícia, dor no peito ou alterações marcantes de humor exigem avaliação imediata.
Duração e segurança do uso
Não há prazo fixo. Normalmente, definem-se metas — perder entre 10% e 20% do peso e normalizar parâmetros metabólicos. Atingidos os objetivos, o médico analisa se o paciente sustenta mudanças no estilo de vida para considerar desmame. Pesquisas que acompanharam usuários por até cinco anos não identificaram contraindicações ao uso prolongado, mas cada caso é individualizado, inclusive por questões de custo.
Consequências da interrupção
Ao cessar a medicação, os mecanismos que reduzem apetite e atrasam o esvaziamento gástrico deixam de atuar. O resultado pode ser aumento da fome e reganho de peso, cenário mais provável em quem não consolidou hábitos saudáveis. Quando o ganho se torna prejudicial, o retorno ao tratamento ou outra estratégia terapêutica entra em discussão.
Como escolher a medicação adequada
A decisão depende da anamnese: histórico clínico, tolerância gastrointestinal, constipação, intensidade do “food noise” e presença de refluxo influenciam a escolha. Embora a tirzepatida apresente, em média, maior perda ponderal do que a semaglutida, não é automaticamente a melhor para todos — alguns respondem melhor a outra molécula.
Imagem: Reprodução
Mudanças de estilo de vida são indispensáveis
Os grandes ensaios clínicos sempre associaram canetas emagrecedoras a orientação nutricional e atividade física regular. Sem essas medidas, a perda de peso tende a ser menor e pouco duradoura. Além disso, dieta desequilibrada eleva o risco de efeitos colaterais, e o sedentarismo favorece a perda de massa magra.
Anticoncepcional, manipulação e outras dúvidas
Vômitos e diarreia, comuns nas primeiras semanas ou durante ajuste de dose, podem comprometer a absorção do anticoncepcional oral. Recomenda-se método de barreira ou opções não orais nesse período. Sobre manipulados: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a semaglutida manipulada e libera a tirzepatida apenas em caráter excepcional. Falta de controle de qualidade, risco de contaminação e variação da concentração do princípio ativo justificam a restrição.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a obesidade afeta mais de 650 milhões de adultos e eleva o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, o que evidencia a importância de tratamento seguro e supervisionado.
Em resumo, levar perguntas direcionadas ao médico — sobre indicação, benefícios, efeitos colaterais, tempo de uso e necessidade de mudanças comportamentais — é essencial para que as canetas emagrecedoras cumpram seu papel no controle da obesidade.
Para aprofundar temas de autocuidado, visite nossa editoria de saúde e beleza e acompanhe as próximas publicações.
Crédito da imagem: Getty Images


