Revenge porn: italiana expõe luta judicial contra ex-marido foi o drama vivido por uma fisioterapeuta que teve a intimidade divulgada sem consentimento após um divórcio conturbado.
A mulher, que deixara a Suíça para recomeçar a vida em Milão com a filha de nove anos, descobriu o crime quando amigos a alertaram sobre um vídeo sexual exibido em um perfil falso no Facebook. A página, criada pelo ex-marido, replicava fotos, dados pessoais e preferências de filmes e músicas, simulando autenticidade para familiares, colegas e até o novo empregador da vítima.
Revenge porn: italiana expõe luta judicial contra ex-marido
O conteúdo íntimo havia sido gravado durante o casamento, sob a promessa de permanecer privado. Quando passou a circular na rede social, a fisioterapeuta entrou em colapso: sentiu-se violada, caiu em depressão e perdeu 10 quilos, isolando-se por vergonha. Além das ameaças do ex, que prometia “difamá-la para todos” se ela não voltasse ao relacionamento, a mulher viu a reputação profissional e familiar ameaçada.
A reviravolta começou após indicação de uma colega para o Soccorso Rosa, centro de referência em Milão no atendimento a vítimas de violência. Lá, ela recebeu apoio médico, psicológico e assistência jurídica gratuita. Especialistas classificaram o caso como revenge porn, prática que se tornou cada vez mais comum e já motivou legislações específicas em diversos países; segundo a BBC, a Califórnia foi um dos primeiros locais a criminalizar a divulgação não consensual de conteúdo íntimo, em 2013.
Com o respaldo do centro e da polícia postal italiana, a vítima registrou queixa e conseguiu a remoção progressiva das imagens, inclusive em plataformas internacionais. As autoridades localizaram rapidamente o ex-marido, que não escondia mais sua autoria. O processo correu mesmo com o réu fora da Itália, resultando em condenação de um ano e dez meses de prisão, além de indenização financeira.
Apagar as pegadas digitais levou meses; reconstruir a confiança, possivelmente levará anos, admite a italiana. Cada notificação de celular desperta lembranças do trauma, trabalhadas em terapia. Ela conta com o apoio do atual companheiro e planeja alertar a filha, hoje com quase 13 anos, sobre os riscos de fotos sensuais. “Nem o maior amor tem direito de roubar sua intimidade”, resume.
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O caso reforça que vítimas de revenge porn devem procurar ajuda especializada, reunir provas e acionar rapidamente a polícia. No Brasil, a chamada “pornografia de vingança” é crime desde 2018, com pena de um a cinco anos de reclusão, ampliada se houver relação íntima preexistente.
Se você ou alguém que conhece enfrenta situação semelhante, busque apoio jurídico e psicológico imediatamente. Para mais conteúdos sobre autoestima e bem-estar, visite nossa editoria de Beleza e Estilo e continue informado.
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