Jonathan Anderson estreia na alta-costura da Dior com uma coleção verão 2026 apresentada no Museu Rodin, em Paris, onde cerâmica e botânica definem silhuetas esculturais.
O primeiro dia da temporada couture marcou a inclusão do estilista irlandês no calendário oficial. Inspirado pelo conceito de wunderkammer – o “quarto das maravilhas” que reúne objetos raros e fenômenos naturais –, Anderson traçou um paralelo entre a construção artesanal da cerâmica e a alta-costura.
Jonathan Anderson estreia na alta-costura da Dior
Ao recapitular a afinidade histórica da maison com a botânica, o designer reforçou a narrativa de Christian Dior, que em 1947 batizou sua coleção inaugural de “Corolle” e costurava lírios-do-vale nas barras dos vestidos como amuleto.
Legado botânico revisto em volumes orgânicos
Referências florais atravessaram décadas de criação na Dior. John Galliano (2010) exagerou pétalas e embalagens florais; Raf Simons (2012) revestiu salões com um milhão de flores frescas; Maria Grazia Chiuri (2020) levou 164 árvores reais à passarela. Anderson, agora, elegeu o cíclame — flor entregue por Galliano antes de seu primeiro desfile — como motivo principal, reproduzindo sua forma circular em vestidos assimétricos.
Colaboração com Magdalene Odundo amplia pesquisa escultórica
A parceria com a artista visual queniana Magdalene Odundo orientou peças de linhas fluidas transformadas em estruturas abalonadas. Anderson comparou o trabalho de modelar argila ao de construir volumes em tecido, resultando em vestidos que parecem rodar no torno, congelados no instante de rotação.
Materiais históricos e “pequenas maravilhas”
Meteoritos, fósseis, tecidos do século XVIII e miniaturas de retratos surgiram como a matéria-prima dos novos tesouros couture. Cinturas projetadas, estolas coloridas e colagens de ornamentos intensificaram o drama até o encerramento: um vestido de noiva coberto por pétalas, usado pela modelo Mona Tougaard.
Imagem: Getty s
Em entrevista ao Business of Fashion, Anderson defendeu a preservação do ofício manual, classificando cada look como “pequena maravilha” e a alta-costura como conhecimento em risco de extinção que sobrevive pela prática.
Repercussão e significado
A estreia reforça a tradição botânica da Dior enquanto projeta novas silhuetas para o futuro. Ao fundir artesanato cerâmico, pesquisa de materiais raros e memória floral, Jonathan Anderson consolida seu discurso de inovação sustentada pela herança da maison.
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Foto: Divulgação


