Catherine O’Hara morre aos 71 e desafia misoginia de Hollywood

Catherine O’Hara morre aos 71 anos em Los Angeles, conforme confirmou nesta sexta-feira (30) o empresário da atriz à revista Variety. A causa não foi divulgada, mas ela enfrentava uma breve doença. Ícone da comédia, a canadense construiu uma carreira de cinco décadas interpretando mulheres incomuns e, com isso, subverteu expectativas sexistas na indústria do entretenimento.

Do improviso na televisão canadense dos anos 1970 ao Emmy por Schitt’s Creek em 2020, O’Hara mostrou que personagens femininas podem ser complexas, ácidas e centrais à narrativa, mesmo em papéis que, à primeira vista, pareciam coadjuvantes.

Catherine O’Hara morre aos 71 e desafia misoginia de Hollywood

Na continuação de Os Fantasmas Se Divertem (2024), a atriz fez questão de que Delia Deetz tivesse um final dramático, insistindo na morte da personagem para fechar seu arco com humor e grandiosidade. A fala “Estou morta. É uma jogada de carreira” virou autorreferência involuntária ao legado de O’Hara, que sempre buscou autonomia criativa.

Da comédia de improviso ao reconhecimento global

O início profissional ocorreu no SCTV e no grupo Second City, quando Catherine e a colega Andrea Martin eram as únicas mulheres em um elenco dominado por homens. Em depoimento no documentário The Second City: First Family of Comedy (2012), ela recordou que escrever papéis para si mesma era a única forma de escapar de ser “a esposa chata que serve café”.

O pacto entre as duas criou personagens tão inteligentes quanto os colegas masculinos, estimulando a contratação de mais mulheres nas temporadas seguintes. “Se você é a estranha, você é o centro da sua própria história”, declarou O’Hara ao The New York Times em 2020.

Papéis marcantes e prêmios

Nos anos 1980, Delia Deetz rendeu status de cult; em 1990, Kate McCallister de Esqueceram de Mim virou rosto mundial; já nos anos 2010, Moira Rose, de Schitt’s Creek, deu a ela o “grand slam” da TV: Emmy, Globo de Ouro, SAG e Critics’ Choice na mesma temporada. Aos 66, a atriz celebrou interpretar uma mulher mais velha “que ainda é estrela do próprio palco”.

Ativismo nos bastidores

Sem adotar discursos estridentes, O’Hara atuou nos bastidores para ampliar a presença feminina. Ela doou para a campanha #HireHerBack da Women in Film durante a pandemia e participou de painéis sobre “Women in Comedy”. Em 2019, disse à Vulture que muitas personagens femininas existem “apenas para provar que o protagonista não é gay”, criticando o formato tradicional de Hollywood.

Mesmo premiada, lamentou a escassez de papéis que não se limitassem a mães histéricas ou avós dóceis. A solução foi criar, escolher ou moldar personagens que questionassem estereótipos, estratégia que manteve sua relevância até o fim.

No último trabalho, gravado antes de falecer, Catherine O’Hara encerrou o ciclo como começou: rindo do absurdo e garantindo que a “mulher estranha” fosse inesquecível.

Para conhecer outras figuras que quebram padrões e inspiram novas gerações, leia também nossa análise em Beleza e Estilo e continue acompanhando nossos especiais.

Foto: Divulgação

Quando você efetua suas compras por meio dos links disponíveis em nosso site podemos receber uma comissão de afiliado, sem que isso acarrete nenhum custo adicional para você.
Rolar para cima