Menstruação após bariátrica: entenda aumento do fluxo

Menstruação após bariátrica pode se tornar mais abundante, cenário que pegou de surpresa a empresária Caroline Rangel de Souza, 28 anos, seis meses depois de perder 35 kg com o procedimento realizado em 16 de julho de 2025.

A gaúcha de Taquara, que iniciou a jornada pesando 107 kg, relata que precisou de reposição de ferro e de medicação para conter o sangramento enquanto se adaptava à nova rotina pós-cirúrgica.

Menstruação após bariátrica: entenda aumento do fluxo

Especialistas confirmam que alterações hormonais explicam o fenômeno. Segundo a ginecologista Anne Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o tecido adiposo não é apenas depósito de gordura: ele armazena estrogênio. A rápida perda de peso desencadeia liberação irregular desse hormônio, ao mesmo tempo em que ciclos ovulatórios, antes desordenados, voltam a se regular, promovendo sangramentos mais prolongados ou intensos.

Pereira esclarece ainda que o quadro tende a ser transitório. “O útero passa por um período de adaptação. Em geral, o organismo se ajusta com acompanhamento adequado”, afirma a médica em texto publicado pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O oposto também pode ocorrer: algumas pacientes ficam amenorreicas, especialmente quando há perda de peso acelerada e carência de nutrientes como ferro, vitamina B12 e zinco. Nesses casos, o corpo “entende” que não é momento seguro para reprodução e pausa temporariamente a função ovariana.

Caroline, que convivia com síndrome dos ovários policísticos, pré-diabetes e esteatose hepática antes da operação, reforça a importância de acompanhamento multidisciplinar. “O problema não é menstruar muito tempo. É não saber que isso pode acontecer. A informação faz diferença”, diz.

Sem apoio inicial da família, ela decidiu pela cirurgia após vivenciar a perda da avó por falta de recursos hospitalares para pessoas com obesidade e ter contato profissional com cirurgiãs bariátricas. O desejo de uma gestação mais segura também pesou na escolha.

Hoje, com o sangramento controlado por medicamentos, a empresária voltou à academia e relata melhora da autoestima e da saúde geral: “Não me escondo mais. Sou minha prioridade”.

A ginecologista recomenda que mulheres em fase de preparo para a bariátrica conversem com o cirurgião, endocrinologista e ginecologista sobre possíveis impactos no ciclo menstrual, além de manter exames regulares de ferro e vitaminas durante todo o pós-operatório.

Para quem já passou pela cirurgia e enfrenta sangramentos excessivos, a orientação é buscar avaliação médica. Tratamentos hormonais, suplementação nutricional e ajustes na dieta costumam controlar o quadro sem comprometer os resultados de perda de peso.

Em resumo, conhecer as mudanças esperadas no corpo — inclusive no sistema reprodutor — ajuda a tornar o processo pós-bariátrico mais seguro e menos assustador para as pacientes.

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Crédito da imagem: Caroline Rangel de Souza, empresária

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