Infecção urinária: automedicação interna nutricionista

Infecção urinária: automedicação interna nutricionista. A nutricionista Patrícia Thainá de Oliveira, 26 anos, precisou ser hospitalizada em Piracicaba (SP) depois de tratar sozinha os primeiros sinais de ardor ao urinar, em dezembro de 2025. O analgésico recomendado por um farmacêutico aliviou a dor, mas não eliminou a bactéria, que avançou pelos ureteres até alcançar os rins.

Longe da cidade onde trabalha e receosa de repetir uma experiência negativa em pronto atendimento, Patrícia optou por buscar orientação em uma farmácia. Além do medicamento, ela reduziu a ingestão de bebidas cítricas, acreditando que os ácidos presentes nos sucos pioravam a ardência. Três dias depois, a dor sumiu — mas a infecção continuou evoluindo sem sinais evidentes.

Infecção urinária: automedicação interna nutricionista

Quase um mês depois, a jovem passou a urinar com mais frequência e, em seguida, acordou com dor lombar intensa no lado esquerdo. No hospital onde atua, relatou o uso do analgésico e ouviu do médico que remédios que anestesiam o trato urinário podem “falsear” os sintomas, postergando o diagnóstico correto. Exames de urina revelaram grande quantidade de leucócitos, confirmando a infecção urinária.

Mesmo com antibiótico imediato, a dor persistiu. Uma tomografia realizada na manhã seguinte detectou pielonefrite, estágio em que o microrganismo já compromete os rins. Patrícia ficou internada por três dias e ainda precisou receber antibiótico intravenoso por mais três, sob o risco de evoluir para sepse — infecção generalizada potencialmente fatal.

A médica de família e comunidade Larissa Bordalo, diretora de Medicina Rural da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), ressalta que mulheres devem iniciar antibiótico tão logo surjam os sintomas porque a uretra feminina é mais curta, facilitando a ascensão bacteriana. Segundo ela, “o analgésico mascara a dor, mas não combate a causa”.

Os sinais de alerta variam conforme a região afetada do trato urinário. Quando a infecção fica restrita à bexiga, predominam dor ao urinar e aumento da frequência de micções. Se atingir ureteres ou rins, surgem febre, calafrios e dor lombar forte. Para o médico Arthur Fernandes, também da SBMFC, sentir melhora rápida não significa cura: “o tipo de antibiótico e o tempo de uso devem levar em conta o microrganismo e o histórico do paciente”.

Persistência dos sintomas após 48 a 72 horas de tratamento, piora do quadro, febre alta, vômitos ou sonolência exigem reavaliação médica imediata. Orientações oficiais sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de infecções urinárias podem ser consultadas no site do Ministério da Saúde, referência nacional em políticas públicas de saúde.

Patrícia recebeu alta sem sequelas, mas admite que subestimou a infecção: “Por pouco não fui parar na UTI”. O caso dela reforça o alerta contra a automedicação e o adiamento do atendimento médico, práticas que, além de agravar a doença, aumentam o risco de complicações graves como a sepse.

Para evitar quadros semelhantes, especialistas recomendam: manter hidratação adequada, não interromper antibiótico sem orientação, buscar avaliação médica ao primeiro sintoma e nunca utilizar analgésicos para “esconder” a dor. Se houver histórico de infecção recorrente, exames laboratoriais podem direcionar o tratamento mais eficaz.

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Crédito da imagem: Getty Images

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